Montadora chinesa Chery quer parceria com banco para financiamento no País

Vice-presidente da Chery International criticou política tributária para veículos importados, mas garantiu que projeto da fábrica em Jacareí, SP, está mantido 

Gustavo Porto, da Agência Estado,

18 de junho de 2012 | 18h10

SÃO PAULO - A montadora chinesa Chery inicia até o próximo mês contatos com instituições financeiras do Brasil em busca de uma parceria que permita o financiamento de suas concessionárias e a venda de veículos quando iniciar suas operações no País no final de 2013. De acordo com o vice-presidente e diretor comercial da Chery no Brasil, Luís Curi, a intenção da companhia é de ter o suporte de uma grande instituição financeira para atuar nesse tipo de operação.

"Para isso, o diretor financeiro da Chery virá ao Brasil no próximo mês para iniciar as conversas", disse Curi na tarde desta segunda-feira, 18, após evento, no qual a companhia iniciou os contatos com possíveis fornecedores de peças para a unidade que será construída na cidade de Jacareí, em São Paulo.

Críticas à tributação

Já o vice-presidente da Chery Internacional, Du Weiqiang, voltou a criticar a política tributária para os veículos até agora importados pela montadora, mas garantiu que o projeto de investimentos de US$ 400 milhões para construção na unidade da cidade paulista está mantido. Pelo regime tributário, os veículos importados pela Chery pagam entre 41% e 43% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), enquanto os nacionais pagam entre 11% e 13%, e até 31 de agosto, essa alíquota cai para 5,5% e 6,5% de acordo com o decreto de maio do governo.

Mas por ser uma montadora em processo de implantação no Brasil, a Chery tem um crédito tributário da diferença dos 30 pontos porcentuais que poderá ser utilizado para o abatimento, quando produzir os veículos com índice de nacionalização acima de 65% no Brasil.

Para isso, a Chery reuniu hoje, em um hotel em São Paulo, cerca de 160 possíveis fornecedores de peças para conhecerem o projeto de nacionalização de produção dos veículos da montadora. Segundo Alexsandro Godoy, gerente de compras da Chery no Brasil, as empresas passarão por um processo de validação, para se tornarem fornecedores, que varia de seis meses a dois anos. Entre os critérios, por exemplo, estão o fato de uma empresa ter necessariamente de ser fornecedora de uma outra montadora, e que tenha produtos de plataformas universais, e que tenha certificado de qualidade ISO.

Quedas nas vendas

Além do banco e da montadora, a Chery pretende ter no País um novo centro de distribuição de peças para atender a demanda da produção que pode chegar a 50 mil veículos por ano e atingir 150 mil unidades em 2015. Esse centro de distribuição deverá ser na região Sudeste e não necessariamente na cidade de Salto, em São Paulo, onde a empresa já tem um centro de peças para atender os veículos importados.

Hoje, a Chery tem 105 concessionárias no País, deve manter esse número até 2013 e atingir até 200 revendedores em 2014. A Chery pretendia vender 60 mil veículos este ano no Brasil, mas reviu os números pela metade e comercializar 30 mil unidades em 2012, justamente por conta do aumento da alíquota do IPI.

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