Montadora desenvolve chassi especial para caminhões blindados

Montadora desenvolve chassi especial para caminhões blindados

Empresas estão de olho no mercado de transporte de cargas de alto valor, frequentemente alvo de roubos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2017 | 05h00

Atenta a novos nichos de mercado, principalmente num período em que as vendas de caminhões continuam em queda, a MAN Latin America desenvolveu um veículo especial para o transporte de carga de alto valor, constantemente alvo de roubos. Chamado de Titanis, é o maior caminhão do mercado para essa finalidade, segundo informa a fabricante, também detentora da marca Volkswagen para veículos pesados.

Em parceria com a Protege, especializada no transporte de dinheiro com carros-fortes, a MAN desenvolveu um chassi de grande porte reforçado para receber a blindagem, o que confere ao caminhão garantia de fábrica. Normalmente, a blindagem é feita por terceiros que não têm aval da montadora e, em razão disso, o veículo perde a garantia após modificações.

O novo caminhão, feito na mesma base do Volkswagen Constellation, um dos mais vendidos da marca, custa, sem a blindagem, R$ 325 mil e tem capacidade para 28 mil quilos de carga. Segundo fontes do mercado, a blindagem desse tipo de veículo custa entre R$ 100 mil e R$ 300 mil.

No caso do Titanis, a cabine foi blindada pela MIB, outra parceira do projeto. Já a carroceria blindada foi produzida pela Truckvan. “É um produto sob medida para as necessidades locais e para a cliente Protege”, afirma Roberto Cortes, presidente da MAN.

A transportadora de valores adquiriu, nos quatro primeiros meses do ano, 120 chassis especiais para carro-forte – normalmente vans – e para caminhões a serem usados no transporte de cargas como eletroeletrônicos e farmacêuticos, muito visadas por ladrões.

Segundo o diretor executivo do grupo Protege, Mario Baptista de Oliveira, desde que a transportadora passou a utilizar caminhões blindados, “não houve mais nenhuma ocorrência (de roubo desse tipo de carga)”.

Uma vantagem, diz ele, é a não necessidade de escolta em outros veículos. Outra é a capacitação do seguro. Em razão dos riscos, um caminhão comum pode transportar até R$ 2 milhões em mercadorias. O blindado pode levar até R$ 20 milhões.

Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) concluiu que o roubo de cargas resultou em prejuízos de R$ 6,1 bilhões à economia brasileira entre 2011 e 2016. As ocorrências são mais comuns no Rio e em São Paulo.

Exportação. Cortes informa que a MAN estuda exportar o Titanis, por enquanto vendido só para a Protege. Segundo ele, o mercado de caminhões blindados este ano, do qual várias montadoras participam, deve girar em torno de 300 unidades. “Em épocas de maior demanda, as vendas chegavam a 500 unidades ao ano, sendo que a MAN detém 60% desse segmento”.

A Scania, que passou a atender esse segmento no fim de 2015, vendeu até agora cerca de 15 caminhões para empresas de transporte de cargas de alto valor, que fazem a blindagem em empresas terceirizadas.

Queda. O mercado total de caminhões deve ficar próximo a 52 mil unidades este ano, muito abaixo das 172 mil vendidas em 2011. Nos primeiros quatro meses do ano, foram comercializados 13,1 mil caminhões, 24% menos ante igual período de 2016.

Para tentar melhorar o desempenho, fabricantes apelam para promoções. A Scania, por exemplo, levou este mês 700 clientes que adquiriram caminhões da marca via consórcio para a Itália, um passeio de quase uma semana com tudo pago. O consórcio representa cerca de 20% das vendas da marca.

No primeiro quadrimestre do ano, a Scania, que só produz caminhões pesados e semipesados (com capacidade acima de 16 toneladas) registrou alta de 11,3% nas vendas ante 2016. O mercado total caiu 22,8%.

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