Montadora sueca estuda comportamento de motoristas

Volvo instalou câmeras em caminhões na Europa; ao fim da pesquisa, empresa vai desenvolver novos sistemas

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

GOTEMBURGO/SUÉCIA

A Volvo iniciou uma pesquisa inédita de monitoramento diário de condutores de 30 caminhões que circulam pela Europa. Os veículos são equipados com diversos itens de segurança e receberam cinco câmeras que registram os movimentos do motorista (inclusive o dos pés) e também o que ocorre externamente na parte frontal, traseira e lateral do veículo.

O objetivo é verificar como o motorista dirige, sua atenção ao volante, suas reações e o movimento externo. Uma análise detalhada das gravações será feita após dois anos de pesquisa.

"Isso nos ajudará a entender as necessidades do condutor, situações que levaram a acidentes e, principalmente, a desenvolver programas e sistemas que possam ajudá-lo", afirma Carl Johan Almqvist, diretor de segurança veicular da montadora de caminhões e ônibus.

Em maio, a Volvo inaugurou mais um laboratório de testes em Gotemburgo, onde está a sede da companhia, com dois sofisticados simuladores que reproduzem de forma bastante real o ato de dirigir caminhões e automóveis. Com os testes, a empresa verifica como os motoristas reagem a várias situações, do trânsito tranquilo e monótono à ultrapassagens inesperadas e obstáculos na pista. Um dos simuladores desliza por trilhos e permite a sensação de movimento do veículo. Só há dez equipamentos similares no mundo. O investimento para aquisição, de 2,5 milhões, foi bancada, em parte, pelo governo sueco.

Em 1997, a Suécia estabeleceu a meta de morte zero no trânsito. No ano passado, ocorreu menos de uma fatalidade por dia no país. "Em alguns dias não houve nenhuma, mostrando que a meta é possível", diz Almqvist.

Segundo dados coletados pela Volvo, no Brasil morrem 96 pessoas por dia em acidentes de trânsito, enquanto no mundo todo ocorrem 3,5 mil mortes, o "equivalente a dez Boeings caindo todo dia", compara Almqvist.

Quando se analisa na proporção para cada 100 mil habitantes, a Suécia registrou quatro óbitos em 2009 e o Brasil, 18 - muito próximo da média mundial, de 19 mortes.

Na Europa, incluir os itens disponíveis no mercado como opcionais custa cerca de 2 mil (cerca de R$ 4,5 mil). No Brasil, custaria pelo menos R$ 15 mil.

A Volvo também vai a campo logo após acidentes com feridos e promove investigação própria ouvindo envolvidos, testemunhas e analisando as condições do veículo e do local. "Recebemos a informação do acidente de órgãos de trânsito e mandamos uma equipe imediatamente", informa Anna Wrige, chefe da equipe de pesquisa de acidentes da Volvo Caminhões.

Foi com base nessas investigações que a empresa criou, em 2008, um sistema de alarme que avisa quando o motorista sai da faixa da pista, situação que normalmente ocorre quando ele está sonolento ou distraído. Também é fruto desse trabalho o sensor que avisa quando outro veículo passa ao lado, evitando o chamado "ponto cego".

Mesmo com novas tecnologias, um equipamento básico, o cinto de segurança, ainda é dispensado por motoristas de caminhões, até mesmo na Suécia. Nos últimos cinco anos, em casos analisados pela Volvo envolvendo 24 mortos, 20 estavam sem cinto. Entre motoristas de automóveis, 98% usam cinto de segurança, porcentual que cai para 50% entre os de caminhões.

O uso indiscriminado de celulares ao volante é outra preocupação constante. Pesquisas mostram que o risco de ocorrer um acidente é 23 vezes maior quando se usa o celular, afirma Almqvist.

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