Montadoras adotam vale-tudo para impedir queda no ritmo de vendas

Promoções, a volta dos prazos mais longos e juros mais baixos tentam estimular a demanda por veículos

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Depois dos pacotes de incentivos para facilitar o financiamento de carros, montadoras concentraram ações de marketing na volta dos prazos longos e dos juros mais baixos. Anúncios de feirões com facilidades no pagamento recheiam as campanhas na mídia, mas o consumidor segue desconfiado. Até o dia 20, as vendas apresentavam queda de 20% em relação ao mesmo período de outubro.O Banco do Brasil e a Nossa Caixa anunciaram neste mês linhas de crédito de R$ 8 bilhões para as montadoras financiarem o consumidor. Com parte do dinheiro em caixa, as instituições voltaram a operar com planos de 60 meses e juro zero.Ainda assim, as condições não se comparam àquelas oferecidas antes da crise. Na disputa pelos clientes em tempos difíceis, montadoras colocam frota à disposição de freqüentadores de bares, garantem parcelas do financiamento em caso de desemprego, dão dinheiro para quem não tiver multa de trânsito e sorteiam carros.Após dois fins de semana seguidos de feirão na fábrica, a GM decidiu manter as ofertas nas revendas neste sábado e domingo. Vários modelos são oferecidos para pagamento com 20% de entrada e 60 parcelas com juro de 1,48% ao mês. Segundo Rodrigo Rumi, gerente regional, uma das novidades é a proteção financeira para quem adquirir o Celta, o mais barato da marca. "Garantimos ao comprador o pagamento de quatro prestações em caso de desemprego." A GM também sorteia três carros para clientes que testarem seus carros. Entre as montadoras, a GM é a que apresenta maior queda de vendas de carros e comerciais leves, de 35% neste mês ante outubro. A Renault caiu 28%, a Ford 25%, a Volkswagen 13% e a Fiat 11%.A Volks dará R$ 1 mil aos clientes que comprarem carro zero nos feirões que promove em São Paulo, Rio e Porto Alegre e também na rede de revendas. O bônus só poderá ser retirado após um ano, caso o cliente não tenha recebido multa no período. A Volks oferece taxas de 0,2% ao mês para o Gol, mas exige 60% de entrada e o restante em 12 parcelas.Já os importados Bora e Passat têm juro zero na compra parcelada em 24 meses com 50% de entrada.A Ford vende toda a linha sem entrada, para pagamento em 60 meses e juro de 1,75% ao mês. A Fiat cobra juro de 0,48% para o Palio Fire, com entrada de 50% e saldo em 12 vezes. A marca também sorteia um Palio entre os clientes desse modelo.A Citroën colocou 24 modelos de luxo C4 Pallas com motoristas para levar clientes da Vila Madalena, tradicional ponto de bares em São Paulo, para casa. A idéia é estimular o contato do consumidor com o carro. Os motoristas são treinados para falar sobre o veículo, que custa a partir de R$ 65 mil."Estamos num clima de quem grita mais alto, de quem dá taxa mais baixa, pau a pau, disputando fim de semana a fim de semana", resume a publicitária de uma agência de montadora. Até dia 20 foram licenciados 112 mil veículos, 20% a menos que em outubro, que já tinha sido pior que setembro. O estoque de carros novos, que no início do mês beirava 300 mil unidades, só diminui porque as empresas estão dando férias coletivas.

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