Montadoras contratam no 1º semestre, mas cadeia automotiva fecha 5.300 vagas

Representantes da entidade que congrega o setor se reúnem hoje no Ministério da Fazenda para discutir demissões, como as previstas na GM

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h06

A indústria automotiva fechou 5,3 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2012. O número se refere a todo os segmentos que compõem a cadeia, como montadoras, fabricantes de peças e componentes eletrônicos. O grande vilão foi o setor de autopeças, responsável pelo enxugamento de 7,8 mil vagas. Esse desempenho negativo foi parcialmente compensado pela maior contratação nas unidades de fabricação de veículos e utilitários.

Mesmo levando em consideração os empregos abertos no comércio e em serviços relacionados, a capacidade de geração de empregos ainda foi 70% menor que no mesmo período de 2011, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Foram 19,3 mil vagas este ano, ante 64,3 mil em 2011.

Esse raio X do mercado nos primeiros seis meses do ano revela bem a fase pela qual passa o setor. Ajudadas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), crédito via compulsório e outros benefícios do programa Brasil Maior, todos de maio, as montadoras ainda apresentam números positivos. O mesmo não ocorre com as autopeças, já que vêm sendo substituídas por itens estrangeiros.

Representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea) vão tratar desse assunto hoje no Ministério da Fazenda. Utilizarão os números para mostrar que não estão cortando empregos, o que estaria na contramão do compromisso assumido com o governo após a redução do IPI.

O encontro foi convocado por causa da intenção da General Motors de demitir 1,5 mil funcionários em São José dos Campos (SP), anunciada semana passada. Em reação, a presidente Dilma Rousseff, que estava em Londres, ameaçou suspender o corte do IPI, o que atingiria todas as montadoras. O governo pretende reafirmar sua preocupação com o emprego, mas tudo indica que o tom da conversa não será de cobrança. O encontro servirá para uma avaliação dos efeitos do IPI menor sobre o setor.

Ontem, o ministro do Trabalho, Brizola Neto, tratou de pôr panos quentes na situação. Ele disse que as demissões da GM são "decisão empresarial" e que a montadora tem sido sensível aos apelos do governo. Além disso, ressaltou, o saldo de empregos nas montadoras ainda é positivo. Fez essas declarações após participar de evento promovido pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, em São Paulo.

Na pauta da reunião de hoje, está ainda a continuação das negociações para regulamentação do regime automotivo, de 2013 a 2017. O governo ofereceu desoneração ao setor, mas em troca quer mais investimentos em inovação e tecnologia, além de ampliação de componentes nacionais e eficiência energética.

O risco de demissões na GM veio bem no momento em que o segmento volta a mostrar recuperação de mercado, inclusive o de trabalho. Apenas em junho, foram criadas 6,5 mil vagas formais no setor. Na fabricação de veículos, foram 3,6 mil vagas, das quais 2,4 mil só em junho. Já a indústria de caminhões fechou 2,7 mil vagas. / COLABORARAM LU AIKO OTTA e BIANCA RIBEIRO

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