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Montadoras de luxo partem para a briga

Economia mais fraca acirra a disputa entre Audi, BMW e Mercedes, donas de 70% do mercado; presidente da BMW acusa rival de dumping

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2015 | 03h00

O mercado de carros de luxo, que cresce há vários anos consecutivos, deve se manter estável ou até mesmo cair em 2016, segundo prevê o presidente da BMW do Brasil, Arturo Piñeiro. O segmento registra até agora alta de cerca de 15% nas vendas no ano em relação a 2014, mas perdeu fôlego, embora apresente resultados muito superiores aos do mercado total de automóveis e comerciais leves, que caiu 25% até novembro.

“A crise tirou o dinamismo previsto para este segmento”, afirma Piñeiro. Até agora, o segmento de carros de luxo, composto pelas três marcas alemãs Audi, BMW e Mercedes-Benz, além de Land Rover, Volvo, Mini, Porsche, Jaguar e Lexus, vendeu cerca de 64 mil unidades. Em todo o ano passado foram 55,8 mil, quase 40% mais que em 2013, segundo dados das empresas.

O crescimento deste ano, ressalta o executivo, ocorreu principalmente no segmento de entrada (versões mais baratas de cada marca), cuja rentabilidade é menor.

Em 2016, o executivo acredita que o mercado vai se manter estável ou até mesmo cair entre 5% a 10%. A previsão do setor de que o mercado premium venderia 100 mil veículos por ano em 2018 foi estendida para data ainda indefinida.

Para Piñeiro, a decisão de compra por parte de empresários que compõem a principal fatia de clientes desse tipo de produto está sendo adiada. “Não é o momento para um cliente que precisa tomar medidas estruturais, como corte de custos e demissão de funcionários, comprar um carro de luxo”.

Dumping. O mercado em depressão esquenta ainda mais a já acirrada disputa entre as três marcas alemãs, que juntas respondem por 70% das vendas no segmento premium brasileiro.

Em uma atitude incomum no setor automotivo, Piñeiro – que em fevereiro deixa a presidência da BMW brasileira para assumir a área de distribuição de veículos da marca nos Estados Unidos – afirma que concorrentes praticam dumping (prática de vender um produto abaixo do preço internacional) e rapel (emplacamento dos carros sem que tenham sido vendidos a clientes para ganhar participação de mercado). “Não são estratégias que nós adotamos”, afirma Piñeiro.

Embora não tenha citado nomes, deu a entender tratar-se da Audi, que vendeu até novembro 15,2 mil veículos, pouco atrás da Mercedes-Benz, com 15,6 mil. A BMW vendeu 14,2 mil unidades.

A Audi informa que todas as vendas realizadas pela marca “atendem estritamente a legislação vigente.” Diz ainda que, após crescer 90% em 2014, fechará 2015 com alta de cerca de 35%. “Em 2013 a Audi era a quarta no ranking de vendas das marcas premium no Brasil e hoje está na disputa pela liderança do segmento”, cita a nota.

Neste mês, a Audi, que tem carros com preços entre R$ 96 mil e R$ 959 mil, promove ação especial para unidades em estoque sem repasse de aumento do dólar ou euro, que vai ocorrer a partir de janeiro. O modelo A3 Sedan Ambiente, por exemplo, teve o preço à vista reduzido de R$ 111 mil para R$ 95 mil.

Reajustes. Em janeiro, a BMW vai reajustar os preços de seus produtos em 12% em média. O modelo mais barato da marca, o Série 1 120i Sport, passará a custar R$ 157,9 mil, ou R$ 30,5 mil a mais que o atual. A Mercedes-Benz também anunciou aumentos de 6% a 10%.

Piñeiro afirma que, hoje, está mais caro produzir carros no Brasil do que importar. A fábrica do grupo em Araquari (SC), inaugura há pouco mais de um ano, opera com um terço de sua capacidade, de 32 mil veículos por ano e produz cinco modelos, sendo quatro da BMW e um da Mini.

O grupo emprega 670 funcionários que trabalham em um turno e pretende manter o quadro. Segundo Gleide Souza, diretora de relações governamentais, para enfrentar a crise o grupo busca alternativas como exportações, nacionalização de componentes e produção de novos veículos.

Um sexto modelo deve entrar em produção em meados de 2016. Segundo fontes do mercado, trata-se do utilitário X4.

A Audi iniciou em outubro a produção do A3 em São José dos Pinhais (PR), na fábrica compartilhada com a Volkswagen. Em março, a Mercedes-Benz inaugura sua fábrica em Iracemápolis (SP). No mesmo período, entrará em operação a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ). A tradicional marca britânica pertence ao grupo indiano Tata Motors.

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