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Montadoras dos EUA têm mais prejuízo e pedem socorro

GM diz que pode ficar sem caixa no primeiro semestre de 2009 se não receber ajuda federal

Agências, Detroit, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A General Motors e a Ford anunciaram ontem prejuízos trimestrais muito superiores às previsões que vinham sendo feitas, e informaram que sua taxa de gastos estava se acelerando. Combinadas com o declínio considerável das vendas de automóveis das duas empresas, essas informações levantaram ainda mais dúvidas quanto ao futuro da indústria automobilística americana.A GM teve perdas de US$ 2,5 bilhões no trimestre (número que chega a US$ 4,8 bilhões, se forem excluídos da conta ganhos extraordinários, como vendas de ativos), com a receita caindo 13% - de US$ 43,7 bilhões para US$ 37,9 bilhões um ano antes. A Ford teve um prejuízo líquido até pequeno, de US$ 129 milhões. Mas, da mesma forma, excetuando-se ganhos extraordinários, as perdas chegam a US$ 2,7 bilhões. Ainda mais preocupante que o resultado é a informação de que as empresas estão esvaziando de forma acelerada o seu caixa para fazer frente às despesas. A GM teve de tirar do caixa US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre, e está agora com uma reserva de US$ 16,2 bilhões. Já a Ford teve gastos de US$ 7,7 bilhões, o que a deixou com reservas de US$ 18,9 bilhões.Apesar do caixa aparentemente significativo, está no limite das obrigações que as empresas têm de enfrentar. Por isso mesmo, a GM já advertiu que corre o risco de ficar sem dinheiro em caixa no primeiro semestre de 2009, se não receber ajuda do governo dos EUA ou se não houver uma melhora nas condições do mercado. O presidente e executivo-chefe da montadora, Rick Wagoner, disse que a empresa está tomando todas as medidas para evitar um pedido de concordata. "A empresa usará todas as fontes de financiamento possíveis para evitar a concordata", disse em uma conferência por telefone . Wagoner advertiu sobre as "graves conseqüências" para a economia americana se a GM tiver de se proteger dos credores.Os resultados ruins foram divulgados apenas um dia depois que os diretores da Ford, Chrysler e GM - outrora chamadas as Três Grandes, porque dominavam o setor - foram ao Congresso americano para pedir uma ajuda federal de US$ 50 bilhões, que poderá ajudá-las a sair da crise. "As ações do governo dos EUA para ajudar a estabilizar os mercado de crédito e reduzir o aperto do crédito são um primeiro passo essencial à recuperação da economia e do setor automotivo, mas serão necessárias outras medidas enérgicas", disse Wagoner.Para tentar ganhar fôlego, as montadoras recorrem mais uma vez ao corte de custos. A GM anunciou que vai acelerar ainda mais seu processo de reestruturação já em curso, e declarou também que desistiu da fusão com a Chrysler (ver ao lado). Já a Ford A Ford anunciou a suspensão da produção de veículos em três fábricas nos Estados Unidos durante todo o mês de dezembro, como parte do plano de reduzir a oferta para acompanhar a queda nas vendas de seus produtos. "Continuaremos reduzindo agressivamente os custos e administraremos nossos recursos com absoluta disciplina", disse Lewis Booth, diretor-financeiro da FordDEMANDAA demanda de automóveis está caindo aceleradamente no mundo inteiro, porque os temores de recessões possivelmente graves nos Estados Unidos e na Europa fazem com que os consumidores adiem compras maiores, enquanto um aperto do crédito em todo o mundo torna ainda mais difícil para os que estão interessados na compra de veículos levantar empréstimos.As vendas, na verdade, estão paradas em quase todo o mundo. Na Alemanha, tanto a BMW, a maior fabricante de carros de luxo do mundo, quanto sua concorrente, a Mercedes, registraram quedas consideráveis das vendas em outubro, e deram como motivo a constante debilidade dos mercados nos EUA e na Europa Oriental.A BMW sofreu um declínio comparativamente pequeno de 8,3% nas vendas do grupo, para 113.005 veículos em outubro, enquanto a Mercedes-Benz Cars viu os volumes das vendas baixarem 18,1% para 82.500 unidades. Tanto a BMW quanto a Mercedes reduziram as perspectivas de lucro para as suas operações de automóveis.Na quinta-feira, a japonesa Toyota, maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou que havia baixado drasticamente sua previsão de lucros para o ano. A empresa também registrou, no terceiro trimestre, seu menor lucro desde 2002, quando começou a publicar seus balanços.

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