Montadoras e sindicatos discutem nesta quarta reajuste salarial

Trabalhadores pedem aumento real de salário, mas as empresas sugerem reposição inflacionária ao redor de 4,7%

Michelly Chaves Teixeira, da Agência Estado,

09 de setembro de 2009 | 12h31

Uma nova rodada de negociações será realizada nesta quarta-feira, 9, entre sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e montadoras associadas ao Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea). O encontro será realizado em São Paulo, na sede do Sinfavea.

 

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Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região, Isaac do Carmo, a reunião também contará com a presença de metalúrgicos das cidades paulistas de São Caetano, São Carlos e Tatuí. Os trabalhadores - que pedem aumento real de salário, enquanto as empresas sugerem reposição inflacionária ao redor de 4,7% - já têm agendada outra reunião, na sexta-feira, com entidades patronais. Somente depois deste encontro é que os trabalhadores decidirão, com base na proposta patronal, se optam pela greve por tempo indeterminado.

 

Para reivindicar os reajustes salariais, os metalúrgicos começaram a fazer paralisações pontuais. Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informaram que os trabalhadores do ramo de autopeças vão parar hoje e na sexta-feira (11). Amanhã será a vez de funcionários das montadoras suspenderem a produção.

 

De acordo com Isaac do Carmo, na sexta-feira passada foram paralisadas as operações de segundo e terceiro turnos da Volkswagen e da Ford. Outra paralisação foi feita ontem pelos trabalhadores do primeiro turno nestas montadoras. Pelos cálculos do líder sindical, estas paralisações envolveram 7 mil trabalhadores. "Estimamos que 1.050 veículos deixaram de ser produzidos na Volks, considerado a suspensão das atividades de três turnos, e 2.500 unidades, entre motores e transmissão, tenham sido deixadas de produzir na Ford", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região.

 

Questionadas se as paralisações, ainda que pontuais, podem afetar a produção em um período em que se espera fortes vendas, já que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acaba no fim de setembro, as montadoras preferiram não se pronunciar. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também foi procurada, mas a entidade não discute sobre negociações em curso.

 

Os protestos por reajustes de salário também estão acontecendo em São José dos Pinhais, no Paraná, onde trabalhadores da Volskwagen-Audi e da Renault-Nissan suspenderam os trabalhos por tempo indeterminado.

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