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Montadoras elevam corte na produção e tentam destravar vendas à Argentina

Fiat anunciou férias coletivas para 800 funcionários da fábrica de Betim (MG), a 11ª montadora a tomar medidas para reduzir a produção; empresas se reuniram com o governo para discutir saídas para retomada das exportações à Argentina

Cleide Silva e Vinicius Neder, de O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2014 | 03h00

SÃO PAULO/RIO - Mais uma montadora, a Fiat Automóveis, deu férias de 20 dias a 800 funcionários da fábrica de Betim (MG). Segundo a empresa, o objetivo é o "balanceamento de estoques". É a 11.ª montadora a adotar medida de corte de produção. O setor acumula estoques para 48 dias de vendas, média mais alta desde novembro de 2008.

Com as férias, fica suspenso um dos dois turnos da linha de produção dos modelos Bravo, Doblò, Idea e Linea. Ao todo, 2.400 unidades deixarão de ser fabricadas no período.

Além da queda de vendas no mercado interno, a redução das exportações para a Argentina, destino de cerca de 13% da produção brasileira de veículos, é outro fator que leva a indústria a cortar produção.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu nesta terça-feira, 15, em São Paulo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luis Moan, para tratar do assunto.

"É uma questão de prioridade para o setor", disse Moan. Ele também levou ao ministro as preocupações sobre a situação atual do mercado. Afirmou, porém, que a nova alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevista para julho, não foi abordada.

Moan afirmou que a entidade apresentou propostas para o memorando assinado no fim de março entre os governos brasileiro e argentino, que prevê uma linha especial de crédito aos argentinos para destravar o fluxo de comércio entre os dois países.

Segundo ele, o setor propõe três possibilidades de financiamento: via bancos regionais, bancos estrangeiros e autofinanciamento. Nos próximos 15 dias haverá outra reunião para finalizar a proposta.

Desde fevereiro, 11 montadoras de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, de um total de 20, anunciaram ações para reduzir a produção, como férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho e programa de demissão voluntária (PDV).

O mercado apresentou melhora de 10,9% nas vendas na primeira metade do mês em relação a março, mas queda de 10,3% na comparação com abril de 2013, com 140,9 mil veículos licenciados até o dia 14. No acumulado do ano, as vendas estão 3,4% abaixo do resultado do mesmo período do ano passado, com 953,7 mil unidades.

Decepcionante. Nesta terça, durante a inauguração de uma fábrica da Nissan em Resende (RJ), o presidente mundial da aliança Renault/Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, classificou o crescimento econômico do País nos últimos anos como "decepcionante", atingindo até mesmo o pujante setor automobilístico, cujo mercado poderá amargar uma estagnação nas vendas de 2014 e 2015. "Serão dois anos de crescimento muito pequeno."

Sobre a nova fábrica, o executivo afirmou: "Não estamos investindo para os próximos seis meses, mas para os próximos dez anos".

Para Ghosn, o incentivo à demanda do mercado por meio da redução do IPI tem efeito no curto prazo, mas não a longo prazo. Citou que a carga de impostos sobre um carro no Brasil pode ficar entre 40% e 45% do valor, dependendo do cálculo. "Não tem nenhum país que eu conheça com essa carga tributária. A longo prazo, seria bom que essa carga fosse mais baixa". (Colaborou Francisco Carlos de Assis)

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