Montadoras fazem terrorismo oportunista, dizem siderúrgicas

O presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) José Armando Campos acusou hoje o setor automotivo de estar promovendo "terrorismo" com o governo nas críticas dirigidas às siderúrgicas devido à alta do preço do aço. O executivo classificou como "lobby oportunista" o documento sobre o tema, enviado ao governo federal e assinado por dez entidades dos setores industriais, incluindo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Na avaliação do presidente do IBS, estes setores estão usando o aço como pretexto para aumentar os seus preço.Campos disse que os preços do aço tem aumentado de forma gradativa devido ao chamado "efeito China", país que, pelas crescente demanda, tem elevado os preços do aço no cenário internacional, bem como dos insumos. "A Anfavea está se aproveitando do momento político para botar mais lenha na fogueira", afirmou. "Não faz o menor sentido pedir intervenção governamental para decidir preço do aço". Ele rebateu o argumento levantado no documento, de que o setor siderúrgico teria promovido alta de 75% nos preços do aço, nos últimos 24 meses. O executivo disse que em 2002, houve uma grande desvalorização dos real, que provocou uma elevação acima do normal nos preços dos insumos. Para Campos, são infundadas as informações de que a alta nos preços do aço, anunciadas em torno de 12% a 15% a partir de janeiro, são as responsáveis no aumento de preços dos veículos. "O aço tem participação de apenas 6% na formação de preços ao consumidor", disse.Ele informou ainda que se não houve diálogo entre siderúrgicas e indústria, a culpa é da indústria, visto que o setor avisou, desde novembro, que ocorreria este aumento no preço do aço. "Mas eles não vieram reclamar conosco; foram direto ao governo. O que a indústria quer é comprar aço barato", afirmou.

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