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Montadoras já compram mais autopeças importadas

O impacto da desvalorização do dólar já chegou aos fornecedores da cadeia automotiva - um setor sensível para a economia por causa do grande número de empregos qualificados que gera. As montadoras estão revisando seus fornecedores, embora a troca por produtos importados seja complicada, porque muitas peças são feitas sob encomenda e os relacionamentos são de longo prazo. "Esse câmbio contribui para a desindustrialização do Brasil", disse o diretor-geral da Marcopolo, José Rubens de la Rosa. Maior exportadora de ônibus do País, a empresa tomou duas decisões: praticamente interrompeu o envio de peças para suas filiais no exterior e está buscando alternativas logísticas para aumentar a participação de peças importadas em suas fábricas no Brasil.

RAQUEL LANDIM, Agencia Estado

12 de novembro de 2009 | 09h48

Segundo o executivo, a Marcopolo desistiu de exportar peças do Brasil para suas fábricas no México, Argentina e Colômbia e decidiu comprar de fornecedores locais. Hoje 70% das peças utilizadas nessas fábricas são adquiridas nos próprios países e os planos são superar 90% em meados de 2010. O processo de substituir peças locais por importadas nas fábricas brasileiras é complicado, porque o mercado exige produtos específicos, com itens desenvolvidos localmente. Hoje entre 5% e 10% das peças utilizadas no Brasil pela Marcopolo são importadas, mas a tendência é aumentar. "Na medida em que a logística se organizar - e isso vai acontecer porque é competitivo -, a indústria brasileira vai progressivamente importar mais", disse De la Rosa.

A fabricante de tratores Agrale está promovendo uma revisão de toda a sua cadeia de fornecedores. De acordo com o diretor de suprimentos, Edson Martins, o objetivo é reduzir o número de parceiros em 25% até o fim de 2010. Os fornecedores estrangeiros respondem por apenas 10% das compras da empresa, mas a tendência é ganharem participação. "Na indústria automobilística, é quase um casamento. Não dá para trocar de fornecedor por conta da sazonalidade do câmbio, que é abrupta no Brasil. Esse processo é longo, mas está ocorrendo", disse Martins. Ele explica que a empresa começou a desenvolver novos fornecedores na Ásia, que melhoraram a qualidade dos produtos.

Os fabricantes de autopeças também estudam mudanças no seu fornecimento de matérias-primas. Na Robert Bosch, o volume de importações de insumos deve representar 30% das compras em 2009, o que significa um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A empresa informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que mantém o compromisso de nacionalizar o máximo possível seus produtos, mas a valorização do real torna esse desafio maior.

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