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Montadoras não garantem manter preço

Para presidente da Anfavea, decisão de elevar o IPI dos veículos importados foi provocada pela queda no saldo da balança comercial

SILVANA MAUTONE, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2011 | 06h07

As montadoras instaladas no Brasil não garantem que os preços dos carros nacionais não aumentarão nos próximos meses, agora que os importados passaram a pagar mais imposto.

"As montadoras não pretendem aumentar o preços dos carros, mas não podem se comprometer com isso, senão seria cartel", disse ontem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, durante coletiva em São Paulo.

Segundo ele, é improvável que isso aconteça porque a competição entre as montadoras instaladas no País deve continuar acirrada em busca de manutenção de participação de mercado.

Questionado se a decisão do governo de aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos, que atinge principalmente as importadoras, foi fruto de lobby das quatro maiores montadoras instaladas no Brasil (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford), Belini, que também é presidente da Fiat, negou.

Belini disse que a decisão foi motivada principalmente pelo impacto negativo que a importação de veículos está causando no saldo da balança comercial brasileira. Segundo ele, de 2006 a 2010, o saldo da balança comercial caiu de US$ 46 bilhões para US$ 20 bilhões principalmente por causa do setor automotivo, que no período passou de um superávit de US$ 9,6 bilhões para um déficit de US$ 6 bilhões.

Ele também foi questionado se a medida não foi dura demais para os importadores, já que o aumento de 30 pontos porcentuais do IPI representou de 120% a 428% no valor do imposto dos carros fabricados em outros países, com exceção do México e Mercosul. "São medidas duras, mas necessárias", afirmou. "Nós também fomos atingidos, porque os nossos carros importados que vêm de outros países que não o México e o Mercosul também vão pagar mais IPI."

A maior parte dos veículos importados vendidos no Brasil são trazidos pelas próprias montadoras nacionais. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), dos 528.082 veículos importados vendidos no Brasil de janeiro a agosto, 24,5% foram trazidos pelas associadas da entidade e os demais 75,5% pelas montadoras instaladas no Brasil.

Divisão. A Abeiva voltará a discutir na sexta-feira se entrará ou não na Justiça contra o aumento imediato do IPI para importados. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, os associados estão divididos.

Parte das 27 empresas associadas quer entrar na Justiça alegando que qualquer alteração no IPI, de acordo com a legislação, só pode entrar em vigor 90 dias após a publicação no Diário Oficial da União. Mas nem todos concordam com a estratégia. A BMW, porém, já decidiu que entrará individualmente na Justiça contra a medida.

A assessoria da coreana Kia informou que a vendas nas concessionárias da marca dobraram no fim de semana. Isso porque os automóveis que já estavam nas lojas antes do anúncio estão isentos do aumento do IPI. O imposto é pago quando o importador emite a nota fiscal para repassar o veículo a concessionária.

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