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Montadoras pedem aprovação de socorro a senadores nos EUA

Executivos de montadoras alertaram no congresso dos EUA na terça-feira que suas fábricas oscilam à beira de um desastre ao pedir a aprovação de um pacote de ajuda de 25 bilhões de dólares para o setor, apesar da oposição política a um novo plano de resgate multibilionário do governo. A audiência aconteceu no momento em que governos e executivos de todo o globo decidem se, e como, eles devem comprometer bilhões de dólares pagos pelo contribuinte para dar suporte a montadoras em dificuldades. Rick Wagoner, presidente da General Motors, foi direto ao explicar ao Comitê Bancário do Senado a razão de os executivos estarem ali. "Isso diz respeito a muito mais do que apenas Detroit (centro da indústria automobilística dos EUA)", afirmou Wagoner em seu pronunciamento. "Trata-se de salvar a economia dos EUA de um catastrófico colapso." Na véspera, democratas do Senado haviam se oposto a um plano que destinaria 25 bilhões de dólares à combalida indústria automobilística em empréstimos garantidos pelo governo. A enfraquecida economia e a crise global de crédito levaram o governo dos EUA a socorrer companhias, incluindo a seguradora AIG, o banco de investimento Bear Stearns e as companhias de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. Wagoner foi ao Senado acompanhado de Robert Nardelli, presidente da Chrisler LLC, Alan Mulalluy, CEO da Ford Motor, e Ron Gettelfinger, do sindicato nacional dos trabalhadores da indústria automobilística. Todos eles testemunharam na terça-feira. "Enquanto a indústria automobilística doméstica cometeu erros no passado, os problemas atuais foram exacerbados por uma das piores crises econômicas em quase três décadas", disse Mulally. "Nós estamos esperançosos de que teremos liquidez suficiente com base nas atuais projeções econômicas e ações planejadas para uma melhora financeira, mas nós sabemos que vivemos em uma era econômica tumultuada." Segundo Wagoner, a GM deverá ter uma perda de caixa da ordem de 15 bilhões de dólares em 2008. Em 2009, esse número deverá ficar em cerca de 10 bilhões de dólares. Nardelli, da Chrysler, disse que a empresa queimou no terceiro trimestre cerca de 3 bilhões de dólares em dinheiro. Segundo ele, a empresa encerrou o trimestre com 6,1 bilhões de dólares em caixa, depois de gastar aproximadamente 5 bilhões de dólares nos primeiros nove meses do ano. Segundo os executivos, a Chrysler tomaria cerca de 7 bilhões de dólares do pacote de 25 bilhões de dólares; a GM, entre 10 e 12 bilhões de dólares; e a Ford, de 7 a 8 bilhões de dólares. Ford, Chrysler e GM disseram também ter pedido ao Departamento de Energia dos EUA empréstimos ligados a tecnologia para reequipar fábricas e fabricar veículos mais eficientes no gasto de combustível. A recepção no Senado, porém, foi um pouco menos cordial do que os bem pagos executivos estão acostumados. O senador Richard Shelby, republicano do Estado do Alabama e membro do comitê, chamou as montadoras de "modelos fracassados" e disse que eles deveriam ter a falência decretada. Ao criticar o socorro, o senador republicano Jim Bunning, do Kentucky, disse: "A proposta que chegará ao Senado amanhã (quarta-feira) não é séria".

JOHN CRAWLEY E KEVIN DRAWBAUGH, REUTERS

18 de novembro de 2008 | 22h32

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