Montadoras preveem melhor ano da história

Indústria reviu projeção de queda de 4% este ano e fala em vendas recordes

Cleide Silva e Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A indústria automobilística, que projetava queda de quase 4% nas vendas de veículos este ano, em comparação a 2008, reviu suas expectativas e já fala em novo recorde, com resultados superiores aos 2,82 milhões de veículos vendidos no ano passado. A revisão foi anunciada ontem, logo após o anúncio do governo federal de prorrogar o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)."Temos a chance de fechar este ano como o melhor da história em vendas", disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. Segundo ele, já está certo que o semestre será recorde. Dados obtidos pelo Estado indicam que, até sexta-feira, foram vendidos 1,41 milhão de veículos, ante 1,4 milhão em igual período de 2008. Este mês também será o melhor junho da história, afirmou Schneider.Segundo dados de mercado, foram licenciados até sexta-feira 260,8 mil veículos em junho, enquanto em maio foram 247 mil. Em junho de 2008, foram 256 mil. Os feirões do último fim de semana não apresentaram desempenho tão bom quanto o anterior por causa do vazamento, na sexta-feira, de que o IPI seria prorrogado.Para o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, a decisão mostra a preocupação do governo com o Produto Interno Bruto (PIB), pois a indústria automobilística pode contribuir muito para melhorar os índices do País. Ele também acredita que o "mercado interno tem condições de superar os resultados do ano passado."José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors, acrescentou que "o Brasil é um dos poucos países, ao lado de China e Alemanha, a registrar aumento em suas vendas em 2009, graças à iniciativa do governo federal."MOTOS E CAMINHÕESO presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, espera que as novas medidas ajudem também a reverter o quadro de queda no segmento de caminhões e motos, que não apresentaram reações nem mesmo com desoneração de impostos. No caso de caminhões, além da escassez de crédito, o volume de transporte de cargas caiu. Os três setores que mais movimentam carga no País, industrial, mineração e agrícola estão com dificuldades. "Com essas medidas de redução dos custos de financiamento e aumento dos prazos, e com outras medidas de reativação da economia, esperamos que o setor volte a crescer", avaliou Reze.No setor de motos, Reze explicou que os bancos ficaram muito restritivos na aprovação do cadastro do cliente. Segundo ele, o comprador de moto é o consumidor de mais baixa renda, cuja aprovação cadastral é mais difícil. "Nossa expectativa é que, com essas medidas, possa haver reação da economia e isso faça com que os bancos voltem a participar do mercado de financiamento de motos".NÚMEROS1,41 milhão de veículos foi vendido desde o começo do ano até sexta-feira 260,8 mil veículos foram licenciados desde o início do mês, até sexta-feira passada

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