Montadoras querem manter corte do IPI

Montadoras querem manter corte do IPI

Indústria vai pedir à presidente Dilma Rousseff que mantenha as alíquotas do imposto, que seriam retomadas a partir de 1º de janeiro

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 21h43


Com vendas em queda e cortes na produção, a indústria automobilística vai pedir à presidente reeleita Dilma Rousseff que mantenha inalteradas as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. As taxas integrais do imposto estão previstas para serem retomadas em 1.º de janeiro, depois de dois anos de redução.

O setor também quer retomar a discussão sobre um programa de proteção ao emprego que prevê prazos mais longos para o chamado lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho), hoje de no máximo cinco meses. A ideia é que o prazo seja ampliado para pelo menos um ano. Com isso, as montadoras acreditam que poderão manter vagas até que o mercado brasileiro apresente melhora, o que é esperado a partir do segundo semestre de 2015 ou, para algumas montadoras, somente a partir de 2016.

A presidente Dilma Rousseff é esperada para a solenidade de abertura do Salão Internacional do Automóvel, nesta quarta-feira, 29, mas sua presença ainda não foi confirmada.

Nesta terça, dia em que as montadoras apresentaram suas novidades à imprensa, o tema do IPI foi recorrente entre os executivos. Eles temem um começo de ano difícil com a alta do imposto. Este ano o setor já deve amargar uma queda de 8% a 10% nas vendas, segundo estimativa da maioria dos executivos.

A volta do IPI integral estava prevista para julho mas já foi prorrogada para janeiro. Para carros com motor 1.0, a alíquota hoje em 3% subiria para 7%. Para modelos flex com motor até 2.0 iria de 9% para 11% e, nas versões a gasolina, de 10% para 13%. O IPI está reduzido desde meados de 2012 e vem sendo retomado gradualmente.

“Seria ideal que não houvesse o aumento, pois o mercado está em queda”, afirma o presidente do grupo Fiat, Cledorvino Belini. Ele também sugere que, em seu novo mandato, a presidente Dilma trabalhe pela “unificação do País em torno de prioridades nacionais, o que é fundamental para a redução da inflação e o crescimento econômico”.

Para o presidente da Nissan, François Dossa, “o carro brasileiro precisa deixar de ser o mais taxado no mundo”, e a manutenção do IPI seria uma primeira etapa.

Se o IPI voltar a subir, vai aumentar o desafio para a indústria, que já vive um momento difícil, diz o vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb.

Para o presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, só a manutenção do IPI, isoladamente, não é suficiente. Ele defende também medidas para ampliação do crédito e um programa de renovação da frota.

Lay-off. Schmall também defende a retomada das discussões para um programa mais amplo de lay-off. O tema estava sendo discutido com o governo em conjunto com as centrais sindicais, mas foi suspenso há alguns meses por causa das eleições.

O presidente da General Motors, Santiago Chamorro, acha que o prazo de um ano seria “prudente” para esperar que o ciclo da atividade econômica volte ao normal. Nesse período, seria possível adequar os níveis de estoques das montadoras, que estão altos, em cerca de 40 dias. “Na Europa, o lay-off pode durar até dois anos”, ressalta.

O lay-off tem sido adotado por várias montadoras para reduzir a produção. Durante o período de suspensão, parte do salário é bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). As empresas dizem que é mais viável bancar o lay-off com perspectiva de volta do trabalhador à fábrica do que usar o dinheiro para o salário desemprego./ COLABOROU IGOR GADELHA

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