Montadoras reduzem produção e têm 12.764 empregados afastados

Número equivale ao total de funcionários em lay-off, férias coletivas ou banco de horas, e não inclui setor de autopeças

Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 21h54

Com queda de 13,7% na produção nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, a indústria automobilística brasileira tem atualmente pelo menos 12.764 funcionários afastados por decisão das empresas. É o que aponta balanço feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, com 14 das principais montadoras que têm fábricas no País. Desse total, 2.670 foram afastados ontem.

Esses trabalhadores foram afastados por meio de lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho), férias coletivas ou banco de horas, para ajustar produção à demanda. Se somados os afastamentos do setor de autopeças, o número pode ser ainda maior.

Só a fabricante de ônibus Marcopolo tem cerca de 8 mil funcionários em férias coletivas nas duas fábricas de Caxias do Sul (RS) desde 16 de fevereiro, com previsão de retorno em 2 de março. A empresa garante que não prevê demissões por enquanto.

Fabricante de caminhões da Volkswagen, a MAN América Latina também deu férias coletivas a 2 mil funcionários a partir de ontem, por 20 dias, na unidade de Resende (RJ). A montadora tem um PDV na unidade.

A General Motors (GM) tem pelo menos 950 funcionários em lay-off na fábrica de São Caetano do Sul (SP), dos quais 100 devem retornar ao trabalho em abril e outros 850 em maio. Além do lay-off, a empresa deu férias coletivas no fim do ano e abriu Programa de Demissão Voluntária (PDV) nas unidades de São Caetano e São José dos Campos. 

A companhia não divulga números oficiais de adesão a PDVs, mas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, menos de 150 funcionários aderiram ao PDV encerrado na sexta-feira. No mesmo dia, trabalhadores da unidade de São José entraram em greve por tempo indeterminado.

Na Mercedes-Benz, há outros 920 trabalhadores afastados por lay-off até 30 de abril, sendo 750 em São Bernardo do Campo e 170 em Juiz de Fora (MG), onde a companhia produz caminhões. No início do ano, a montadora já tinha demitido 260 colaboradores da unidade de São Bernardo (160 por iniciativa da empresa e outros 100, por meio de PDV). Apesar dos afastamentos, a montadora começou a construir uma fábrica em Iracemápolis (SP), com investimento de mais de R$ 500 milhões.

Já a Ford tem quase 650 funcionários afastados. Na unidade de São Bernardo, 420 foram colocados em banco de horas a partir de ontem, por tempo indeterminado, enquanto em Taubaté (SP) outros 224 estão em lay-off até 31 de março. Além do afastamento dos funcionários, a empresa fez paradas estratégicas da produção no carnaval nessas duas fábricas e na unidade de Camaçari (BA).

A Volkswagen é outra montadora com trabalhadores afastados. Na unidade de Taubaté, a empresa deu férias coletivas a cerca de 250 empregados a partir de ontem, por cerca de 20 dias. Em janeiro, a companhia ameaçou demitir 800 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, mas revogou a decisão após trabalhadores entrarem em greve por 11 dias. A empresa, contudo, manteve a ideia de abrir um PDV para cerca de 2,1 mil trabalhadores considerados excedentes na unidade, programa que se encerra no dia 27 de fevereiro.

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