Montadoras remetem menos lucro para suas matrizes no exterior

De janeiro a maio, empresas do setor automotivo enviaram para fora do País 69% menos do que no mesmo período de 2011

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h12

As montadoras que atuam no Brasil estão contribuindo menos com o resultado das suas matrizes no exterior neste ano. Dados do Banco Central mostram que o setor automotivo lidera a queda nas remessas de lucros e dividendos para outros países de janeiro a maio de 2012.

Essas empresas enviaram para fora do País, nesse período, US$ 703 milhões - valor 69% menor que o registrado no mesmo período de 2011. É o maior porcentual de queda entre todos os setores listados pelo BC.

A situação é exatamente a oposta da verificada no mesmo período do ano passado. Nos cinco primeiros meses de 2011, as montadoras haviam mais que dobrado as suas remessas em relação a 2010, ao aproveitar a lucratividade no Brasil para ajudar as matrizes no exterior. Com isso, lideravam o ranking do BC de envio de lucros. Na época, as montadoras respondiam por 19% das remessas totais do País e por 37% dos lucros remetidos pelo setor industrial.

Agora, com estoques em alta e resultados fracos no Brasil, a situação se inverteu. Neste ano, essas participações caíram, respectivamente, para 8,6% e 16%. A queda nas receitas das montadoras levou, inclusive, o governo a anunciar um pacote de redução de tributos até agosto e a tomar medidas para facilitar o crédito automotivo, que travou após bater recordes de inadimplência.

Custos. Para o diretor do Centro de Estudos Automotivos, Luiz Carlos Mello, ex-presidente da Ford Brasil, esse movimento está ligado ao aumento de custos para enfrentar a concorrência de novas montadoras que chegam ao País e à queda nas vendas e no lucro. Não há relação com direcionamento de recursos para investimentos, que estão sendo cobertos por empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e bancos locais. "Essas afiliadas promovem a remessa em função do seu resultado. Como o ganho não está sendo tão substancial este ano, esse fluxo diminui naturalmente", diz Mello.

Neste ano, as remessas das empresas para o exterior totais caíram 43%. Por conta desse movimento, na sexta-feira, o BC reduziu em US$ 10 bilhões a previsão de remessas de lucros e dividendos neste ano, para US$ 28 bilhões. Segundo a instituição, o nível de atividade mais moderado afeta a rentabilidade das empresas no Brasil.

As montadoras ocupam agora o terceiro lugar entre as maiores remessas. O primeiro está com o setor financeiro, que reduziu o envio de lucros em 43% (US$ 932 milhões), mas manteve participação em torno de 11%. Em segundo, está a indústria de bebidas, que aumentou as remessas em 23% (US$ 853 milhões), um dos maiores crescimentos no setor industrial.

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