Montadoras travam guerra para vender carros populares no fim do ano

Automóveis. Com pátios cheios, empresas tentam desovar estoques de modelos 1.0; entre as vantagens oferecidas, descontos de até R$ 2 mil, financiamento em 60 vezes com primeira parcela a ser paga em maio e opcionais, como direção hidráulica, grátis

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h05

Perto da virada do ano e ainda com pátios cheios, montadoras e concessionários travam uma guerra de promoções para desovar estoques de carros populares. Há ofertas de descontos de até R$ 2 mil, financiamento em 60 vezes com primeira parcela em maio e opcionais grátis, como direção hidráulica.

Pelas projeções das montadoras, dezembro deve ser o melhor mês do ano, com vendas de aproximadamente 350 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus. Até quarta-feira, foram licenciadas 239,8 mil unidades, 3,5% a mais que em igual período de novembro. Em todo o mês passado foram vendidos 321,6 mil veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O segmento de carros populares (com motor 1.0) responde atualmente por 45,4% das vendas totais do País, participação que vem caindo, mas ainda é significativa. Em 2010, os chamados populares responderam por 50,8% das vendas.

No início do mês, montadoras e revendas tinham em estoque 373,5 mil veículos - boa parte deles dessa categoria de produto.

A briga entre as empresas atualmente está centrada nos modelos de entrada, os mais baratos de cada marca. Começou no início do mês, quando a Renault baixou o preço do Clio de R$ 25.050 para R$ 22.990.

Na sequência, a Fiat anunciou o Mille a R$ 21.990 (ante R$ 23.490 na tabela sugerida) e a Ford passou a vender o Ka a R$ 23.990, R$ 1.430 a menos que o valor de tabela. O Chevrolet Celta também está mais em conta e a Volkswagen manteve o preço do Gol em R$ 26,4 mil, mas oferece direção hidráulica de brinde.

Modelos importados também entraram na disputa pelo consumidor. O grupo Pequim, com quatro revendas em São Paulo, oferece o Chery QQ a R$ 23.990, parcelado em 60 vezes sem entrada e com a primeira parcela a ser paga em maio. Além disso, paga integralmente o valor do carro usado na troca.

Foi essa oferta que levou a empresária Janaina Souza, dona de uma farmácia na zona leste de São Paulo, a adquirir seu primeiro carro zero. Ela comprou um QQ em 60 prestações de R$ 620 e saiu da loja com R$ 15 mil, recebidos pelo Gol 2003 que daria como parte do pagamento.

"Vou usar o dinheiro para quitar dívidas com cheque especial e cartão de crédito e entrar o novo ano no azul", diz Janaina, que é casada, tem dois filhos e usa o carro no trabalho e para lazer.

O diretor do grupo Pequim, Wilson Goes, informa que as mesmas condições oferecidas para o QQ valem para os demais modelos da chinesa Chery. Desde que iniciou a promoção, há pouco mais de uma semana, as vendas diárias das lojas passaram de uma média de quatro para 11 automóveis.

IPI. Outra promoção é a do modelo Face, cotado a R$ 32.990, mas vendido a R$ 29.990. "Todas as versões da Chery são completas, com air bag, ABS e outros itens", ressalta Goes.

Segundo ele, antes da entrada em vigor do aumento de 30 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados, no dia 16, o grupo fez estoque de mil veículos e pretende manter os preços sem repasse do imposto pelo menos até fevereiro.

Pelos cálculos de Goes, se o aumento for aplicado integralmente, o compacto QQ passará a custar R$ 31,1 mil. O S18, que será lançado em janeiro, tem pré-venda a R$ 31.990, mas, com o IPI maior, poderá custar R$ 41,5 mil.

A Chery não divulgou o porcentual de reajuste que pretende aplicar nos carros da marca quando os estoques atuais acabarem.

"Os novos embarques estão suspensos, pois estamos negociando com a matriz algumas compensações para evitar um aumento brutal por conta do IPI", informa o presidente da Chery do Brasil, Luis Cury. O grupo construirá fábrica em Jacareí (SP) e negocia flexibilizações da nova regra com o governo, assim como outras empresas que estão na mesma situação.

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