Montadoras vão investir R$ 30 bilhões no Sudeste

Responsável por 70% da produção nacional, região vai ganhar novas fábricas até 2016

Cleide Silva, de O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2013 | 16h07

SÃO PAULO - Maior polo automotivo do Brasil, responsável por 70% da produção nacional de veículos, a Região Sudeste receberá, num período de seis anos, de 2010 a 2016, mais de R$ 30 bilhões em investimentos só das montadoras de veículos, a maior parte em novas fábricas ou na ampliação de instalações atuais.

Nos próximos três anos, dois dos Estados que compõem a região vão inaugurar seis unidades produtivas de veículos. Em São Paulo, vão entrar em operação em 2014 as plantas das chinesas Chery, em Jacareí, e da Shacman, em Tatuí.

No ano seguinte, a japonesa Honda abre sua fábrica de carros em Itirapina e a conterrânea Toyota inaugura unidade de motores em Porto Feliz. Em 2016, será a vez da Mercedes-Benz iniciar a produção de automóveis em Iracemápolis.

Segundo o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer, a escolha pelo interior de São Paulo se deu em razão da infraestrutura, custos logísticos com portos e estradas para escoar a produção, proximidade da cadeia de fornecedores e qualidade da mão de obra.

"Também é o maior mercado consumidor brasileiro", destaca Schiemer. A nova fábrica vai produzir o automóvel de luxo Classe C e o utilitário-esportivo de pequeno porte GLA.

O grupo alemão também anunciou neste mês que grande parte de um investimento de R$ 1 bilhão será gasta na unidade de caminhões em São Bernardo do Campo e outra parcela em Juiz de Fora (MG).

No ano passado, inauguraram fábricas paulistas a japonesa Toyota, em Sorocaba, e a coreana Hyundai, em Piracicaba. Além disso, a americana General Motors pode anunciar investimentos de R$ 2,5 bilhões em uma nova unidade no complexo de São José dos Campos.

O Rio recebe a fábrica da japonesa Nissan em Resende no próximo ano e aguarda para dezembro o anúncio oficial da chegada da britânica/indiana Jaguar Land Rover.

O Estado, contudo, perdeu para o Rio Grande do Sul a fábrica de caminhões da marca chinesa Foton, que depois de anunciar uma unidade na região de Resende mudou de planos e foi para Guaíba.

Além das novas fábricas, as montadoras já instaladas no Sudeste anunciaram aportes em ampliação, como a italiana Fiat, que no período de 2011 a 2014 gastará R$ 7 bilhões na unidade de Betim (MG). O grupo também constrói uma filial em Pernambuco, orçada em R$ 4,5 bilhões, incluindo uma unidade de motores.

"Vamos ampliar a capacidade de Betim de 800 mil para 950 mil carros ao ano, o que a tornará a maior fábrica do mundo em capacidade instalada", informa o presidente da Fiat, Cledorvino Belini.

O executivo lembra que a região mineira tem um importante polo de fornecedores de componentes - o segundo maior do País -, "mão de obra de qualidade e comprometida com resultados". Reclama, contudo, da logística desprivilegiada de estar longe de portos e ter de escoar os veículos por rodovias federais precárias.

Competência. Para Ricardo Pazzianotto, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), os novos projetos "reforçam a competência do Sudeste", que é o maior produtor de veículos no País. São Paulo, Minas e Rio respondem por 70% de toda a produção nacional, que este ano deve passar de 3,7 milhões de veículos.

Em 1990, quando o Brasil tinha muito menos fábricas e produzia 843 mil veículos, a participação dos três Estados na produção brasileira era de 99%, com fábricas concentradas principalmente no ABC paulista, interior de São Paulo e Minas.

Pazzianotto ressalta que, entre os principais atrativos de São Paulo, está a concentração de fabricantes de autopeças. "Estão no Estado 68% dos fornecedores", afirma. Além disso, há facilidades logísticas, com estradas de acesso a várias localidades e ao Porto de Santos. "Tem ainda mão de obra qualificada e em abundância."

O presidente da Investe São Paulo (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade), Luciano Almeida, lembra que São Paulo tem a terceira maior economia da América Latina, atrás do Brasil como um todo e do México.

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