Montagem da equipe econômica enfrenta entraves

Pouco tempo para mudar os rumos da economia e prováveis dificuldades no Congresso aumentam resistência às sondagens

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes , O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 03h00

Mesmo com a definição de Henrique Meirelles para o comando da Fazenda, a montagem da equipe econômica tem sido uma tarefa desafiadora para o vice-presidente Michel Temer. A dificuldade em fechar os nomes esbarra principalmente no receio dos sondados em relação ao pouco tempo para reanimar a economia até 2018 – cenário que pode ficar mais complicado sem a “mão-de-ferro” de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no comando da Câmara dos Deputados para colocar em votação projetos considerados essenciais.

Por esse motivo, Temer e Meirelles trabalham com algumas opções de economistas que podem servir como curingas, para serem encaixados no primeiro e segundo escalões, caso o afastamento da presidente Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado Federal na próxima quarta-feira. Aliados de Temer dizem que a lista com os nomes está quase fechada, mas ainda há dúvidas em relação ao cargo que cada um dos cotados vai ter no desenho final.

Veja os nomes cotados para a equipe econômica.

Alguns nomes da lista são ventilados para funções distintas, como é o caso do ex-diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton. Ele saiu do BC e foi para a diretoria da holding J&F, controladora da JBS, onde trabalhou novamente com Meirelles. No provável governo Temer, pode ser escalado para ser o número dois do Ministério da Fazenda, secretário do Tesouro Nacional ou secretário de Política Econômica (SPE). 

Também para a SPE, que exige um formulador de estratégias para reanimar a economia, está cotado o sócio do banco Brasil Plural, Mário Mesquita, que também foi diretor de Política Econômica do BC de 2007 a 2010 e já teve o nome também entre os cotados para a presidência do banco.

Demora. Ao assumir o BC, em 2003, Meirelles levou alguns meses para trocar os diretores da instituição. Ele já disse a Temer que a troca não precisa ser imediata, uma vez que precisa ser referendada pelo Senado. Meirelles já trabalhou com alguns dos diretores que ainda estão no BC, como é o caso de Aldo Mendes, cotado para continuar na diretoria de Política Monetária.

Para os bancos públicos, o vice já tem em mente que a mudança mais urgente deve ser no comando da Caixa, atualmente com a petista Miriam Belchior. Já está praticamente acertado que o novo presidente da instituição será Gilberto Occhi, indicado pelo PP. Occhi é funcionário de carreira da Caixa e já foi ministro das Cidades e da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff. Roberto Derziê, ligado a Temer, deve ficar com uma vice-presidência, indicada pelo PMDB. 

Um dos cotados para o comando do BNDES, em substituição a Luciano Coutinho, é o atual superintendente da área de estruturação de projetos, Henrique Pinto. A ideia é extinguir a vice-presidência. O BB deve ficar mais algum tempo com Alexandre Abreu. Uma das opções para uma troca futura é Luiz Fernando Figueiredo, também ex-diretor do BC. 

Nos próximos dias, Meirelles e muitos dos candidatos para compor sua equipe vão se reunir em São Paulo. Será um debate para discutir o que é preciso ser feito para a retomada da atividade econômica em um curto espaço de tempo. Meirelles tem dito que o primeiro desafio é trazer de volta a confiança para garantir o retorno dos investimentos e a recuperação dos empregos, que será a principal bandeira do governo Temer. 

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