Moody´s admite que errou ao rebaixar o Brasil com atraso

A Moody´s admitiu hoje que errou ao estimar que o sentimento negativo do investidor em relação ao Brasil seria transitório. O diretor da agência, Vincent Truglia, explicou que, por acreditar na transitoriedade, a agência confirmou o outlook positivo para o País em meados de abril. Foi forçada, no entanto, a rebaixar o rating do Brasil no mês passado. "Infelizmente, acreditamos que o sentimento negativo do investidor era transitório, mas nisso nós erramos", admitiu o diretor. A Moody´s foi duramente questionada por analistas durante sua teleconferência nesta manhã, sobre o por quê de ter rebaixado a classificação de risco do Brasil somente em junho. Alguns dos analistas ponderaram que o risco político já era evidente desde o início deste ano, com Luiz Inácio Lula da Silva em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. A agência rebateu, afirmando que ainda faltavam muitos meses para a eleição de outubro e que o quadro era dinâmico. Outros participantes focaram nos fundamentos da economia brasileira. Logo após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o Brasil aumentou a oferta de títulos indexados ao dólar, um sinal de que o mercado já via o País com desconfiança. Ao mesmo tempo, um analista lembrou que a relação dívida pública/PIB não se alterou de forma significativa no período. "Por que então rebaixar o Brasil somente agora?", questionaram. A Moody´s respondeu que naquela época acreditava ser transitória a desconfiança dos mercados. Não foi, e a agência admitiu o erro. A mudança no mês passado, segundo Truglia, confirmou as preocupações do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.