Moody's alerta sobre perspectiva de rating da França

A alta nas taxas de juros sobre a dívida do governo francês e os prognósticos de crescimento mais fraco poderiam ser negativas para a perspectiva do rating de crédito da França, alertou a Moody por meio de relatório na segunda-feira, aumentando a pressão sobre os mercados de dívida da Europa.

REUTERS

21 de novembro de 2011 | 09h36

Preocupações de que a França tenha os fundamentos econômicos mais fracos entre os seis países da zona do euro com rating "AAA" colocaram neste mês a segunda maior economia da região na linha de fogo da crise de dívida.

A agência de classificação de risco disse que a piora no clima do mercado é uma ameaça às perspectivas de crédito do país, embora não ao atual rating francês nesta fase.

"A persistente elevação nos custos de financiamento por um período prolongado amplificariam os desafios fiscais que o governo francês enfrenta, em meio à perspectiva de deterioração do crescimento, com implicações negativas ao crédito", disse a autoridade sênior de crédito Alexander Kockerbeck no documento Perspectiva Semanal da Crédito, datado de 21 de novembro.

"Como observamos em publicações recentes, a deterioração nos indicadores de endividamento e do potencial de passivos adicionais a emergir estão exercendo pressão sobre a credibilidade da França e a perspectiva estável (embora não nesta fase) do rating do governo dívida 'Aaa'", avaliou a Moody's no documento.

O diferencial de rendimento entre os títulos francês e alemão de dez anos subiu acima dos 200 pontos-base na semana passada, batendo novo recorde desde a criação do euro.

Moody disse que a esse nível de contaminação, a França paga quase duas vezes mais que a Alemanha para se financiar no longo prazo. A agência acrescentou que um aumento de 100 pontos-base no rendimento equivale a cerca de três bilhões de euros a mais em custos de financiamento anual.

Nas operações desta segunda-feira, o spread dos papéis públicos da França de dez anos sobre os alemães subia cerca de 20 pontos-base, para 167 pontos, após a publicação do relatório da Moody's, mas permaneceu bem abaixo dos 202 pontos atingidos na semana passada. O índice CAC 40 da Bolsa de Paris, que caiu 1,7 por cento na abertura do mercado, cedia 2,3 por cento às 9h10.

"Com a previsão do governo para o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) de 1 por cento em 2012, uma carga de juros mais alta tornará mais difícil alcançar a meta de redução do déficit fiscal", afirmou a Moody's.

Em 17 de outubro, a Moody disse que poderia colocar o rating francês em perspectiva negativa nos próximos três meses se os custos para socorrer bancos e outros membros da zona euro sobrecarregarem o Orçamento do país.

"O modelo social francês não pode ser financiado se o potencial da economia francesa não for preservado. Com mais enfraquecimento do crescimento do PIB, o âmbito político para o governo gerar economias adicionais neste caso seria testado", disse a Moody's.

A agência informou que a gestão da crise de dívida da zona do euro complicou os esforços de consolidação orçamentária do governo. O estresse sobre os balanços dos bancos pode levar a novos aumentos de passivos no balanço do governo quando for necessário apoio estatal aos bancos, acrescentou a agência.

(Reportagem de Geert De Clercq)

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