Brendan McDermid/Reuters
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Moody's altera perspectiva de nota do Brasil e sinaliza possível rebaixamento

Agência cita incertezas quanto às reformas e fala em crescente ameaça à recuperação econômica do Brasil

Matheus Maderal, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2017 | 17h53

A agência de classificação de risco Moody's alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil, atualmente Ba2, de estável para negativa. A medida é uma sinalização de um possível rebaixamento na classificação de risco do País e, assim, uma piora na sua avaliação de capacidade de pagamento.

Entre os fatores citados pela Moody's para o movimento está o aumento das incertezas "em relação ao momento favorável às reformas após os últimos acontecimentos políticos", referindo-se à turbulência desencadeada pela delação dos donos da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer.

"Independentemente de seu desfecho, a crise política que emergiu no Brasil na última semana provavelmente debilitará a agenda de reformas do governo e comprometerá a aprovação de reformas futuras, incluindo a da Previdência", afirma a Moody's em relatório. "Isto provavelmente terá um impacto negativo na confiança do investidor e levará ao aumento da volatilidade nos mercados, ameaçando o momento macroeconômico positivo observado desde o início da agenda de reformas promovida pelo presidente Michel Temer".

Entre os fatores que podem levar a um rebaixamento do rating do Brasil, a agência cita uma possível "intensificação da crise política que leve a um período prolongado de incerteza, impactando materialmente as perspectivas macroeconômicas e fiscais". "A reversão das reformas fiscais já aprovadas, principalmente o cumprimento do teto de gastos, seria particularmente negativa para o rating", alerta a Moody's.

Na semana passada, a S&P colocou a nota de crédito do País em observação, o que também indica a possibilidade de um rebaixamento nos próximos três meses.

Já a Fitch havia reafirmado em BB+ a nota de crédito do País, mantendo a perspectiva negativa e citando os riscos da denúncia contra o presidente Michel Temer ao crescimento da economia. A Moody's também se pronunciou e manteve o rating do Brasil em Ba2, com perspectiva negativa, afirmando que as denúncias contra o presidente Temer ameaçam "paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente". Hoje, a agência voltou a destacar a piora no quadro político e afirmou que a recuperação da economia pode atrasar pelo menos um ano.

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A última vez em que S&P se pronunciou sobre o rating do País foi em fevereiro. A S&P manteve a nota de crédito do Brasil em BB, dois níveis abaixo do grau de investimento - o chamado "selo de bom pagador - e reafirmou a perspectiva negativa para a classificação, o que já indicava a possibilidade de um rebaixamento.

Na época, a agência afirmou que "os consideráveis desafios fiscais e econômicos no Brasil implicam na necessidade de um comprometimento mais firme nas políticas", citando a fraqueza da economia e as pressões fiscais de governos regionais, mesmo após a entrada em vigor da medida que impõe um teto aos gastos públicos por 20 anos.

A S&P retirou o grau de investimento do Brasil em 2015, logo após a revisão da meta fiscal daquele ano. A perda do selo de bom pagador veio em dezembro daquele ano pela Fitch e em fevereiro do ano seguinte pela Moody's./COM ÁLVARO CAMPOS, GABRIEL BUENO E IDIANA TOMAZELLI

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