Moody's ameaça rever rating da França nos próximos 3 meses

Já a Espanha teve o rating soberano cortado em dois níveis, de Aa2 para A1, com perspectiva negativa

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h01

A agência de classificação de risco Moody's advertiu ontem que a perspectiva estável do cobiçado rating AAA da França está sob pressão por causa de métricas mais fracas de endividamento e do potencial surgimento de novas obrigações. Já a Espanha, teve o rating soberano cortado em dois níveis, de Aa2 para A1. A perspectiva é negativa.

A agência informou que acompanhará e avaliará, nos próximos três meses, a perspectiva de progresso do governo francês na implementação das reformas fiscais e econômicas necessárias, levando em conta qualquer potencial desdobramento adverso na economia ou nos mercados.

A advertência consta de estudo anual da Moody's sobre o crédito da França. Segundo a agência, as métricas de endividamento do governo francês estão entre as piores dos países com o mesmo rating soberano.

Ao mesmo tempo, é possível que a França se coloque diante de vários desafios nos próximos meses, com a necessidade de resgatar outros países da zona do euro ou o próprio sistema financeiro, o que resultaria em novas obrigações para o governo.

Com relação à Espanha, a agência acha que os elevados níveis de dívida do setores bancário e corporativo deixam o país vulnerável a problemas de financiamento. Mais rebaixamentos da nota de crédito espanhola são possíveis, caso a crise de dívida da zona do euro se agrave, alertou a agência. A revisão da Moody's para a nota espanhola foi iniciada no fim de julho.

A Moody's foi a última das três principais agências a rebaixar o rating da Espanha. No início de outubro, a Fitch já havia cortado a nota espanhola de AA+ para AA-, com perspectiva negativa. Na semana passada, a Standard and Poor's reduziu em um nível a nota de crédito de longo prazo do país de AA para AA-, com perspectiva negativa.

Itália. A Standard & Poor's rebaixou ontem as notas de crédito de 23 bancos da Itália, afirmando que a renovação das tensões na periferia do zona do euro e as perspectivas mais fracas de crescimento levaram a uma deterioração no ambiente de operações do setor bancário italiano.

A agência de classificação de risco também reiterou os ratings de 19 bancos do país e alterou para negativa a perspectiva do Banca di Credito Cooperativo San Marzano di San Giuseppe, que possui rating BBB-.

A agência ressaltou que pode haver um declínio na lucratividade dos bancos italianos nos próximos anos por causa do aumento considerável no custo dos empréstimos, da volatilidade nos mercados de capital e das perspectivas reduzidas de crescimento. / DOW JONES NEWSWIRES

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