Tasso Marcelo|Estadão
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Moody's corta nota da Vale e mineradora pode perder grau de investimento

Com anúncio da agência, nota fica um nível acima do grau especulativo e pode sofrer novo rebaixamento; commodities e possibilidade de socorro financeiro à Samarco pesam na decisão

Marcelo Osakabe, O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2015 | 22h38

Atualizado em 11/12/2015 às 08h01

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou de Baa2 para Baa3 a nota de crédito em moeda estrangeira de notas seniores não asseguradas da Vale, mantendo a perspectiva para negativa. A nota da Vale Canadá também foi rebaixada para Baa3. 

No comunicado, a agência afirma que a mudança se segue à decisão, anunciada na quarta-feira, 9, de colocar a nota de crédito Baa3 do Brasil em revisão para possível rebaixamento. Ela salienta, no entanto, que um rebaixamento da nota do País não acarretaria necessariamente um rebaixamento da nota da Vale.

Segundo a Moody’s, o rebaixamento reflete expectativa de um enfraquecimento da performance da Vale nos próximos 12 a 18 meses, em função da queda dos preços do minério de ferro e de metais básicos, assim como a probabilidade de que o valor desses insumos não vá se recuperar significativamente antes de 2017.

“Como consequência, as receitas e o fluxo de caixa da Vale continuarão em queda, e as métricas de crédito, especialmente a alavancagem, permanecerão desafiadoras”, afirmou a agência de classificação de risco. A Moody’s acrescentou ainda que o progresso em reduzir custos e aumentar os volumes de produção obtidos pela Vale, embora ajudem a compensar os baixos preços das commodities, não terão efeito sobre as métricas de crédito até 2017-2018.

Samarco. Entre os motivos que podem pressionar a nota e a perspectiva da Vale - além da manutenção dos preços do minério em baixos patamares -, está a possibilidade de que a mineradora seja chamada a dar apoio financeiro a Samarco para arcar com os custos decorrentes da tragédia ambiental causada pelo rompimento de barragem em Mariana, Minas Gerais. A Vale é controladora da Samarco ao lado da BHP Billiton, cada uma com 50% de participação na joint venture.

Analistas do setor destacam que a Vale, assim como suas concorrentes, já vinha enfrentando um cenário difícil em função das perspectivas de desaceleração da economia da China - maior consumidora global de minério - e da deterioração da cotação de seu principal produto.

Em fevereiro de 2011, a tonelada do minério chegou a ser negociada a US$ 191,70. Na quinta, fechou cotada a US$ 37,5, queda de 2%. Desde então, a Vale perdeu R$ 247 bilhões em valor de mercado, medido pela multiplicação da cotação pelo total de ações. O caso Samarco adicionou novo componente a esse cenário difícil, em especial por causa das incertezas em relação às penalidades que serão aplicadas à empresa e ao tempo para a retomada da operação.

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