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Moody's decide nova alta da nota do Brasil este ano

Perspectiva da nota soberana do País será revisada no fim do ano, quando a agência vai decidir se eleva ou não a atual classificação da dívida brasileira

FÁBIO ALVES , ENVIADO ESPECIAL / MONTEVIDÉU, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h04

A agência de classificação de risco Moody's vai revisar a perspectiva da nota soberana do Brasil no fim deste ano para decidir se elevará ou não o rating do País, informou Mauro Leos, vice-presidente da Moody's e principal analista da agência para o Brasil.

A Moody's está com a perspectiva positiva do rating soberano brasileiro, atualmente em Baa2, desde junho do ano passado, quando a agência de classificação de risco melhorou a nota brasileira pela última vez.

Até então, o Brasil era classificado com a nota Baa3. Se decidir elevar o rating, a nota de risco do Brasil subirá para Baa1, igual à do México, mas ainda abaixo da nota do Chile, que está em Aa3, a mais alta na América do Sul.

"Vamos analisar na segunda metade deste ano, porém mais para o final, a nossa posição em relação à perspectiva positiva do rating soberano brasileiro", afirmou Leos em entrevista exclusiva à Agência Estado durante encontros paralelos à reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), encerrada ontem em Montevidéu.

Mudança. Segundo Leos, a favor de uma elevação da nota brasileira está uma maior e melhor coordenação entre as políticas fiscal e monetária no governo Dilma Rousseff. "É também positivo o compromisso da gestão Dilma Rousseff com uma responsabilidade fiscal em termos da preservação das metas de superávit primário", disse Leos. "Também vejo sinais de maior transparência em relação à gestão da política fiscal, o que era uma fonte de preocupação no final do governo anterior."

Ele reconhece que ainda há um debate sobre o quanto deveria ser feito pela política fiscal e o quanto pela política monetária para atingir os objetivos do governo, mas o fato de que as duas políticas seguem na mesma direção, e não em direções opostas como no governo anterior, é algo positivo na avaliação do risco soberano brasileiro, disse Leos.

Ele disse não considerar como um fator negativo para a melhora do rating brasileiro o ritmo mais rápido na redução da taxa básica de juros pelo Banco Central, que cortou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 9,75% ,na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "Não acho que o BC prejudicou o seu compromisso com a sua meta de inflação com o último corte", disse Leos.

Como obstáculo à elevação da nota a partir da perspectiva positiva, Leos citou a volatilidade da taxa de crescimento do PIB brasileiro, cuja taxa de expansão caiu para 2,7% em 2011 depois de ter crescido 7,5% em 2010.

"O padrão do desempenho da economia brasileira tem sido um tanto errático nos últimos anos", argumentou. Leos estima para 2012 um crescimento ao redor de 3% do PIB brasileiro. "É uma estimativa conservadora", acrescentou.

Segundo ele, os economistas da Moody's ainda mantêm um cenário com reservas em relação ao crescimento global para 2012, o que acaba afetando as projeções de expansão do PIB dos países latino-americanos.

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