Fabio Motta/Estadão
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Agência de risco Moody's eleva nota de crédito da Petrobrás

Apesar da melhora, a estatal ainda permanece com grau especulativo na qualidade do crédito a longo prazo 

Fernanda Nunes, Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 16h35
Atualizado 21 de outubro de 2016 | 23h35

Após cinco anos, a Petrobrás teve nesta sexta-feira, 21, a primeira melhora na sua nota de crédito pela agência de classificação de risco Moody’s. Apesar da revisão para cima, o rating da petroleira continua sendo classificado como especulativo, cinco degraus abaixo do grau de investimento, indicador que funciona como um selo de boa pagadora para as empresas.

O rating da petroleira foi de B3 para B2. Ao mesmo tempo, a perspectiva foi alterada de negativa para estável. A notícia traz alívio para a companhia, que perdeu o selo de boa pagadora em fevereiro do ano passado, em meio às investigações de corrupção pela Operação Lava Jato e preocupações com sua liquidez. À época, a Moody’s foi a primeira agência a tirar o grau de investimento da Petrobrás, movimento seguido pela Standard & Poor’s e pela Fitch.

A agência destacou ontem uma melhora no perfil de liquidez da Petrobrás e no ambiente regulatório no Brasil nos últimos meses, que reduziram o risco de crédito da empresa.

A agência também cita um melhor sentimento do mercado em relação ao Brasil, após o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, com resultante apreciação do real, o que reduziu os custos da empresa, seus gastos de capital e a alavancagem de seu endividamento.

A revisão também incorpora evidência da capacidade da gerência da Petrobrás de avançar com suas estratégias financeiras e operacionais e compromisso com políticas financeiras conservadoras.

A Moodys cita o plano de negócios de 2017-2021. A Petrobrás anunciou em setembro um corte de 25% nos investimentos previstos para o período. O plano estatal também inclui a vendas de ativos. A empresa espera levantar US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos e parcerias nos anos de 2017 e 2018.

No entanto, o risco de liquidez continua “significativo”, a dívida elevada (R$ 330 bilhões) e a empresa ainda tem diversas tarefas para entregar, disse a analista sênior da Moody’s Nymia Almeida em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

“O principal problema são os US$ 27,3 bilhões que estão para vencer nos próximos dois anos e meio. É muito dinheiro para uma empresa que, em determinados momentos, consegue acessar o mercado, mas em outros não, seja por razões intrínsecas dela ou do próprio setor de petróleo”, destacou.

Metas. A Petrobrás viu a revisão como um reconhecimento importante de seus esforços. Além disso, diz que a mudança reforça que as metas principais do planejamento estratégico anunciado recentemente são “compromissos importantes no processo de recuperação da companhia”. Entre as ações, está a redução do endividamento por meio do programa de parcerias e desinvestimentos, além da melhoria operacional.

“No entanto, a diferença entre o rating atual e aquele que a companhia já teve evidenciam a relevância da execução e cumprimento das metas previstas no plano”, diz em nota.

O anúncio foi feito com o mercado financeiro ainda operando. A Petrobrás já estava em alta quando a agência de classificação de risco Moody’s anunciou a elevação do rating da estatal, mas, depois disso, a trajetória se intensificou. As ações preferenciais (sem direito de voto) subiram 1,18%, enquanto as ordinárias (com direito de voto) valorizaram 1,90%. / COLABORARAM GABRIEL BUENO DA COSTA E RENATO CARVALHO

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