Moody's eleva nota de crédito do Brasil

Agência de classificação aumenta o rating do País de Baa3 para Baa2, o que dá mais segurança a investidores na compra de títulos brasileiros

Cynthia Decloedt, Francisco Carlos de Assis, Fábio Graner e Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

A agência de classificação de risco de crédito Moody"s, uma das três mais respeitadas do mercado financeiro, elevou a nota do Brasil. O chamado rating soberano passou de Baa3 para Baa2 na escala da empresa. Isso significa que os títulos emitidos pelo governo brasileiro são ainda mais seguros para os investidores globais.

A perspectiva para a nota do País permanece positiva. Ou seja, em um intervalo de 12 a 18 meses, pode ser elevada novamente, o que deixaria o governo brasileiro a apenas mais um degrau do nível A da escala. A Moody"s afirmou que os recentes ajustes nas políticas brasileiras "devem resultar em um cenário macroeconômico mais sustentável".

Uma nova elevação, segundo a agência, será possível se alguns fatores se concretizarem nos próximos meses e anos. Em primeiro lugar, se o crescimento econômico se moderar. Em segundo, se as autoridades conseguirem cumprir as metas orçamentárias de curto prazo.

Na avaliação do vice-presidente para risco soberano da agência, Mauro Leos, há, por parte das autoridades econômicas brasileiras, uma séria intenção de desacelerar o ritmo de crescimento econômico e de atingir as metas de superávit fiscal.

"Creio que em 2011 e nos próximos anos, as autoridades (brasileiras) vão desacelerar a economia", disse Leos à Agência Estado. Nas contas dele, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer este ano aproximadamente 4% e nos próximos anos entre 4,1% e 4,2%.

Indagado se não vê na área fiscal um eventual impedimento a uma nova elevação do rating do Brasil, o vice-presidente da Moody"s disse que esta é uma das principais variáveis observada pela agência.

"O ponto central são as contas fiscais", afirmou. Ele acrescentou que, neste caso, há uma mensagem de "expressiva" intenção do governo em atingir as metas de superávit primário (receitas menos despesas, sem considerar os encargos da dívida pública). "Há uma tendência de o governo manter a política fiscal e desacelerar o crescimento da economia", frisou Leos.

A decisão da Moody"s teve pouco impacto no mercado financeiro nacional. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu 0,18%, para 61.168 pontos, e o dólar caiu 0,06%, para R$ 1,596.

O governo celebrou a elevação. "A decisão reconhece a capacidade e efetividade das atuais políticas econômicas, na manutenção de consolidação da estabilidade e na obtenção de um ritmo sustentável de crescimento, com inflação sob controle", disse o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a presidente Dilma Rousseff ficou satisfeita com a avaliação da Moody"s. Ele observou que o governo fez um ajuste no início do ano, que desacelerou o crescimento. "Hoje a economia está crescendo numa velocidade de cruzeiro, de 4,5% ao ano."

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