Moody´s explica risco Brasil

A Moody´s considera que o volume das dívidas interna e externa do Brasil é um fator que impede um melhor rating do País, segundo a classificação que a empresa habitualmente faz sobre as economias de todo o mundo, com base especialmente na capacidade de solvência de seus compromissos financeiros. Para seu diretor, Vincent Truglia, o Brasil precisa libertar-se da necessidade de captar recursos externos para honrar sua dívida, grande parte dela atrelada ao dólar. E que isso só será possível através de um forte incremento das exportações e da atração de capitais para o setor produtivo. Entrevistado no Conta Corrente Especial, da Globo News, Truglia deu como exemplos as economias do México e de países do sudeste asiático, como a Coréia. O México, por ter conseguido atrair investimentos na área industrial, o que transformou o país em exportador e cujos títulos soberanos são agora de longo prazo, o que o livra de capitais meramente especulativos. E, no caso de países do sudeste asiático, os saldos expressivos de suas balanças comerciais. Lembrou que o Brasil atraiu um volume gigantesco de investimentos diretos no governo passado, mas majoritariamente para o setor de serviços - energia elétrica, telecomunicações, área financeira - que pouco ou quase nada contribuem para a balança comercial. Setor públicoPara o diretor da Moody´s, mesmo os países industrializados enfrentam problemas com as dívidas do setor público. E reconheceu que, neste particular, o Brasil não vai tão mal. "Embora a dívida do setor público no Brasil seja alta, ela é ainda é menor do que a de alguns países industrializados. Tem sua estrutura mais sólida, se comparada com as dívidas do Japão e da Itália." O problema, acrescentou, é que nossa dívida vem sendo remunerada a juros overnight. E isso pode trazer uma agravante: as crises externas, tanto políticas como econômicas, afetam de maneira mais cruel os países periféricos, como o Brasil.Governo LulaNa opinião do diretor da Moody´s, o governo Lula está fazendo o necessário, sobretudo na ampliação do percentual do superávit primário. "Isso indica que, não havendo crise econômica (externa), a dívida do setor público vai manter-se sob controle. Este é um grande feito do novo governo, indicando que ele pretende seguir uma política econômica bastante ortodoxa. Mas isso é o mínimo e necessário, porque em 2004 e 2005 o desafio será político."

Agencia Estado,

22 de abril de 2003 | 07h12

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