Moody's: indicadores ainda apontam fragilidade do Brasil no fim de 2012

Agência lembra que durante um período de dois anos, o crescimento econômico brasileiro esteve notavelmente abaixo das expectativas 

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de novembro de 2012 | 17h32

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Moody's afirmou nesta quarta-feira, 21, que ainda existem receios sobre a velocidade em que o crescimento econômico no Brasil será retomado, mesmo com as medidas adotadas recentemente pelas autoridades para impulsionar a atividade. "Alguns indicadores ainda denotam a presença de um enfraquecimento econômico relativo durante o segundo semestre de 2012", afirma a agência no comunicado divulgado ao manter o rating Baa2 do País, com perspectiva positiva.

A Moody's lembra que durante um período de dois anos, o crescimento econômico brasileiro esteve notavelmente abaixo das expectativas, com o PIB apresentando uma taxa anual média de aproximadamente 2% em 2011 e 2012, "e ainda sem indicação de uma mudança para taxas mais em linha com a tendência de crescimento do País de 4%, como a maioria dos analistas prevê".

Segundo a agência, embora a recente evolução da economia seja em parte um reflexo de elementos cíclicos, "também há fatores fundamentais em jogo, incluindo um baixo crescimento da produtividade na indústria, que - se não for corrigido - poderia impactar adversamente o potencial de crescimento e a posição competitiva do País nos próximos anos".

A Moody's indicou que a condição debilitada do Brasil em alguns indicadores denota a presença de problemas subjacentes que reduzem a posição de crédito do País em relação aos seus pares, principalmente países com rating Baa elevado. "Fatores especialmente significativos incluem: um índice de investimento menor do que 20% do PIB, que é comparado com uma mediana de 25% no rating Baa; uma carga de taxa de juros que, em 15% das receitas do governo, é o dobro da mediana correspondente a emissores Baa; e necessidades financeiras brutas na ordem de 15% do PIB, que superam aquelas da maioria dos governos classificados no extremo superior do grupo Baa", diz o comunicado.

A agência afirma que embora o Brasil continue debilitado nesses indicadores, a perspectiva positiva foi mantida por conta do atual processo de convergência que a agência de rating espera que continuará diminuindo as diferenças ao longo do tempo, permitindo que o perfil de crédito do País torne-se mais consistente com aquele de outros países com rating Baa mais elevado.

"A resiliência da economia a choques adversos continua sendo sustentada por um nível elevado de reservas internacionais, fortes índices de capital dos bancos brasileiros e a exposição limitada à moeda estrangeira no balanço do governo. Um histórico de gestão de políticas eficiente sob condições adversas provê um suporte importante para o rating soberano do Brasil", afirma a Moody's.

Mudanças

Segundo a Moody's, as condições necessárias para uma elevação do rating do Brasil incluem evidências de que o crescimento do PIB tenha se tornado menos volátil, com taxas de crescimento na ordem de 4% anualmente. Além disso, seria preciso uma confirmação de que o superávit primário do governo seja suficiente para validar uma queda do índice de dívida sobre PIB após a consideração de pagamentos de juros menores.

"Caso as condições listadas acima não se materializem, isso seria uma indicação de que a perspectiva do rating deve se tornar estável", afirma a agência. Do outro lado, a incapacidade das autoridades de administrar episódios de rápido crescimento econômico, "quer seja determinado por fatores domésticos ou externos, poderia levar a um rebaixamento do rating". As informações são da Dow Jones.

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