Moody’s pode elevar nota do País

Agência inicia em setembro processo de análise da perspectiva da classificação de risco

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

22 de agosto de 2012 | 22h00

O vice-presidente da Moody’s, Mauro Leos, afirmou que a agência poderá começar em setembro o processo de análise da perspectiva da classificação de risco (outlook) do Brasil pela agência internacional de rating. Durante entrevista exclusiva à Agência Estado, o executivo afirmou ainda que a avaliação pode durar até novembro.

"Com esse processo, é possível o País receber upgrade até o fim do ano", disse Leos, de Nova York. No caso da Moodys, dois terços das revisões de outlook resultam em elevação da nota de classificação de risco dos países.

Leos explicou que do processo de análise podem surgir duas decisões: ou melhora, ou piora. "A perspectiva nunca fica a mesma", disse. Segundo ele, o Comitê da Moody’s poderá se reunir a partir de setembro porque já faz 12 meses que foi determinado o outlook positivo para o Brasil, o que ocorreu em junho de 2011.

Diante disso, a eventual melhora do outlook, agora, resultaria na elevação da nota de risco do País. A classificação, atualmente BAA2 com perspectiva positiva, passaria para BAA1.

Pacote

Como um dos principais responsáveis pela análise do Brasil, Mauro Leos não quis falar como está avaliando o desempenho da economia brasileira. Ele esteve em Brasília na semana passada, num período marcado pelo impacto do anúncio do pacote de concessões em rodovias e ferrovias, que prevê investimentos de R$ 133 bilhões.

"O pacote foi uma boa surpresa", disse. A viagem a Brasília foi a última ao País antes de a Moody’s começar o processo de análise da perspectiva da nota soberana brasileira.

"Somente o anúncio já indica que há uma mudança na abordagem do governo sobre a estratégia da condução da economia. Diminui a tendência de incrementar o lado da demanda e será mais fortalecido o lado da oferta", disse o executivo.

"E isso é importante para uma agência de rating, pois vai aumentar a perspectiva de aumento do PIB potencial no longo prazo. A decisão do governo é um passo importante na direção certa", acrescentou.

Segundo Leos, trata-se de uma medida relevante, pois pretende aumentar investimentos no longo prazo, ao mesmo tempo que reforça compromisso com superávit primário de 3,1% do PIB.

"A presidente Dilma Rousseff tem perfil equilibrado, dado que busca solidez macroeconômica no longo prazo, com melhora das condições sociais da população", comentou.

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