Evaristo Sa/AFP
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Moody's vê crescimento do Brasil somente a partir de 2017

Agência avalia que país enfrentará recessão em 2015 e estagnação econômica em 2016, mas espera crescimento anual de 2% em 2017 e 2018

Gabriela Korman, Mateus Fagundes, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 18h16

A agência Moody's avalia que o crescimento do Brasil deve permanecer fraco neste e no próximo ano. No texto que acompanhou o rebaixamento do Brasil para Baa3 - apenas um patamar acima do grau especulativo - e a alteração da perspectiva para estável, a agência informou que o País terá recessão em 2015 e enfrentará estagnação econômica em 2016. Depois disso, segundo a agência, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá registrar taxas anuais de crescimento de cerca de 2% em 2017 e 2018.

A agência também fez um alerta sobre a relação entre a dívida pública e o PIB. Segundo a Moody's, para que o país estabilize os índices da dívida, é necessário um crescimento do PIB e superávits primários de pelo menos 2% e, segundo a nota, a agência não espera que o Brasil cumpra estas condições este ano ou no próximo.

Para a Moody's, os índices da dívida do governo continuarão a aumentar durante a atual administração, permanecendo em níveis historicamente elevados em termos absolutos e em comparação com o grupo de pares do Brasil com rating Baa, que são aqueles que têm grau do investimento. No entanto, a agência alerta que a "comportabilidade da dívida continuará a piorar, em termos absolutos e em relação a seus pares".

A agência estima ainda que a relação dívida/PIB subirá para 67% em 2016 e continuará a aumentar lentamente depois, se aproximando de 70% em 2018. "Seria preciso um crescimento maior ou uma correção fiscal mais significativa do que a atualmente incluída no cenário oficial revisado do Brasil para reverter a trajetória de aumento da dívida durante este governo", avaliam.

Segundo a Moody's, as condições ruins do mercado de trabalho, a queda no emprego e a redução dos salários, que impactam o consumo, devem se estender para 2016. "A baixa capacidade de utilização, a fraca confiança dos empresários e os desdobramentos relacionados à Petrobras afetarão negativamente as perspectivas de investimentos neste ano e no próximo", acrescentou a agência. 

Ainda, para a Moody's, as condições no âmbito fiscal também seguirão. "A redução do gasto discricionário não compensou adequadamente o impacto do crescimento mais fraco que o esperado sobre as receitas do governo. Essa tendência seguirá assim, particularmente tendo em vista as despesas obrigatórias que continuarão a aumentar em termos reais", divulgou.

Apesar das dificuldades fiscais, a Moody's não projeta, no momento, uma grave deterioração das métricas de dívida do Brasil, o que sustenta a perspectiva estável da nota e o grau de investimento do País.

Outras agências. O rebaixamento da nota do Brasil pela Moody's ocorre duas semanas depois da Standard & Poor's revisar para negativa, de estável, o rating BBB- do País. Pela S&P, o País está a apenas um degrau acima do nível especulativo. Para a agência Fitch, o rating do Brasil é BBB, com perspectiva negativa, dois degraus acima do grau especulativo. 

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