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Edson Passarinho/AFP
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Moody’s prevê recuo de 2% do PIB em 2015 e estagnação em 2016

Projeções da agência de classificação apontam para uma volta ao crescimento, ainda que modesto, só em 2017 e 2018

ANDRÉ ÍTALO ROCHA, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2015 | 18h37

A agência de classificação de risco Moody''s aposta em uma recessão de 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, seguida de uma estagnação em 2016. O crescimento só deverá voltar no biênio 2017-2018, para o qual a agência projeta uma expansão média de 2,0%, sendo 1,5% em 2017 e 2,5% no ano seguinte.

Na avaliação da agência, o governo brasileiro deverá apresentar um resultado primário de zero em 2015, ligeiramente inferior à nova meta, de 0,15% do PIB. Para 2016, a Moody's projeta uma economia fiscal de 1% nas contas do governo. Em 2017 e em 2018, o superávit primário deverá ser, respectivamente, de 1,5% e 2,0%. 

Nesse ambiente, a dívida pública brasileira deverá alcançar, no fim do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o nível de 70% do PIB, estima a Moody''s, que no começo do mês rebaixou o rating do Brasil de Baa2 para Baa3, com perspectiva estável. O patamar atual da dívida em relação ao PIB é de 63%.

Em relatório publicado nesta quarta-feira, 26, a agência atribui a previsão de alta da dívida a uma insuficiência do ajuste fiscal. "A redução das despesas do governo não tem conseguido compensar o crescimento menor que o esperado para as receitas", explica a Moody''s. Se a dívida chegar a 70%, o Brasil poderá sofrer um novo rebaixamento, perdendo, portanto, o grau de investimento.

Para a agência, a ausência de um consenso político sobre a necessidade de reformas que tragam maior rigidez orçamentária e o combate ao aumento de gastos obrigatórios tem dificultado a atuação do governo para reverter a tendência de crescimento da dívida durante o segundo mandato de Dilma.

As previsões da Moody''s para a economia brasileira são afetadas negativamente, direta e indiretamente, pela crise da Petrobrás. "A decisão da companhia de reduzir seu programa de despesas, de 2015 a 2019, de US$ 220,6 bilhões para US$ 130,3 bilhões, representa um ajuste equivalente a cerca de 5% do PIB", estima.

"A Petrobrás é a maior empresa no Brasil, respondendo por cerca de 10% do investimento total, e a sua decisão de cortar gastos está tendo um efeito negativo significativo", justifica a Moody''s.

Inflação. Quanto à inflação, a Moody's espera que o índice de preços ao consumidor volte no ano que vem para um nível abaixo do teto da meta do Banco Central, de 6,5%. O índice deverá apresentar alta de 6,0% em 2016, desacelerando em relação à previsão para este ano, de 9%. Nos 12 meses até agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 9,56%.

Ainda assim, a estimativa para o próximo ano é 1,5 ponto porcentual superior à meta de 4,5% que o Banco Central garante que irá entregar. Pior ainda. Para a Moody's, o centro da meta, de 4,5%, só deverá ser atingido em 2018, depois de o IPCA alcançar 5,0% em 2017.

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