Moody's prevê prejuízos a vários setores por investigações da Petrobrás

Agência de classificação de risco vê impacto negativo nos setores de petróleo e gás, construção, infraestrutura e até financeiro 

Luana Pavani, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 16h01

A agência de classificação de risco Moody''s avaliou, em relatório divulgado nesta segunda-feira, 9, a clientes, que as investigações de corrupção na Petrobrás podem afetar negativamente vários setores, como a cadeia de produção de petróleo e gás nacional, os setores de construção e infraestrutura.

No caso dos bancos, a investigação poderia resultar em lucros mais baixos, especialmente se as instituições públicas tiverem de dar suporte à Petrobrás para evitar consequências econômicas mais amplas.

A Moody''s, avalia que, diante dos desdobramentos negativos das investigações na estatal sobre a economia, o governo federal estaria inclinado a dar suporte financeiro, embora não esteja claro se seria capaz de reunir o grande montante que possa vir a ser exigido no curto período para evitar default.

"A Petrobrás desempenha um papel central nos projetos de investimento de longo prazo no Brasil. Uma deterioração significativa na sua qualidade de crédito colocaria o setor bancário brasileiro, mercados domésticos de capitais e a economia como um todo em risco", diz a autora do relatório, Marianna Waltz.

"Os riscos de liquidez da Petrobrás, como resultado dos atrasos na publicação de balanços auditados, além da redução no nível de seus investimentos, impactarão não apenas as empresas de engenharia e construção sob acusação, mas também grupos maiores de investimento em infraestrutura", diz o relatório.

Outro ponto que contribui para a deterioração da situação da estatal no médio prazo são os preços baixos do petróleo, que ainda podem ter efeitos negativos para a cadeia de abastecimento, enfraquecendo o desempenho financeiro e operacional dos navios que são parte do esforço vital de produção offshore da Petrobrás, na avaliação de Marianna Waltz.

A agência lembra que, para conter a redução de liquidez, a Petrobrás implementou cortes de gastos que terão implicações amplas sobre as finanças públicas do Estado do Rio de Janeiro, que por sua vez tem alta dependência do petróleo e veria queda na arrecadação tributária e nos royalties, afetando empresas de engenharia e construção, petróleo e gás e desenvolvimento imobiliário.

As implicações imediatas para o perfil de crédito soberano são limitadas, segundo o relatório. "A Moody''s não espera que o suporte do governo para a Petrobrás poderia levar a dívida soberana a ultrapassar 70% do PIB, sob qualquer cenário", afirma. As implicações para o soberano estão relacionadas principalmente à credibilidade da resposta das políticas econômica e fiscal do governo. A Moody''s rebaixou todos os ratings da Petrobrás em 24 de fevereiro passado, de modo que a estatal perdeu grau de investimento.

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