Moody's reafirma rating Baa2 do Brasil e mantém perspectiva positiva

De acordo com a agência, evidências de que o crescimento econômico brasileiro se tornou menos volátil poderiam levar a uma elevação na nota soberana do País 

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de novembro de 2012 | 17h51

NOVA YORK - A agência de classificação de risco Moody's reafirmou hoje o rating de longo prazo do Brasil em Baa2, com perspectiva positiva. De acordo com a agência, evidências de que o crescimento econômico brasileiro se tornou menos volátil poderiam levar a uma elevação na nota soberana do País. Do outro lado, a inabilidade das autoridades brasileiras em lidar com episódios de forte crescimento poderiam causar um rebaixamento.

Segundo comunicado divulgado pela Moody's, a redução significativa na taxa Selic em direção a níveis de apenas um dígito, juntamente com indícios de que as condições macroeconômicas podem favorecer um ambiente de taxas de juros mais baixas no futuro, representa fatores positivos para o rating soberano.

"O principal impacto de taxas de juros mais baixas sobre as contas do governo virá através de um espaço fiscal adicional criado como resultado da redução dos custos de financiamento. Isso poderia ser particularmente favorável para o Brasil dada a carga de juros muito elevada do País, que corresponde a aproximadamente 15% das receitas, comparada com uma mediana de 7,3% de outros países com rating Baa", diz o relatório da agência.

Na opinião da Moody's, caso a redução das taxas de juros se mostre permanente, o espaço fiscal adicional poderia permitir que o governo sacrificasse parte do superávit primário sem necessariamente comprometer suas metas fiscais, "visto que os esforços para garantir uma queda sustentada no índice de dívida sobre PIB não serão tão exigentes como anteriormente".

A agência afirma que as taxas de juros mais baixas já têm um impacto positivo na estrutura de dívida do governo, já que o aumento da parcela de dívida pré-fixada e o prolongamento dos vencimentos médios estão evoluindo em um ritmo mais acelerado do que o normal, determinados pela recomposição das carteiras domésticas.

A companhia diz ainda que a decisão do governo de reduzir os impostos representa um afastamento das práticas anteriores. "Caso sejam mantidas, as reduções poderiam impactar significativamente o desempenho econômico, visto que a elevada carga de impostos do Brasil tem sido considerada um impedimento para o crescimento e para investimentos". Para a Moody's, a redução dos impostos sobre os salários é particularmente relevante, já que a redução dos custos empregatícios poderia fortalecer a posição competitiva geral do País.

A elevada mobilidade socioeconômica no Brasil tem levado a uma migração das famílias em direção a faixas de maior renda, aponta a Moody's. Segundo a agência, estimativas oficiais indicam que atualmente mais de 50% das famílias pertencem à "nova classe média". "Esse fato deve reforçar as perspectivas de crescimento de médio prazo, com o mercado doméstico pronto para se tornar um importante determinante de crescimento nos próximos anos", diz o comunicado. As informações são da Dow Jones.

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