Moody's rebaixa a nota de risco de 8 bancos brasileiros

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou ontem a nota de crédito de oito bancos brasileiros entre um e três graus, como parte de sua revisão global de todos os bancos com ratings (classificações) mais elevados do que o rating soberano de seu país de origem.

RICARDO LEOPOLDO, SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h09

"Nossa análise indicou que há poucas razões para acreditar que esses bancos estariam isolados a partir de uma crise da dívida do governo", justificou a Moody's, em comunicado. "Mais especificamente, nós notamos uma significativa exposição direta desses bancos para os títulos do governo brasileiro, equivalente a 167% do capital de nível 1, em média."

A Moody's rebaixou Banco do Brasil, Safra, Santander e HSBC Bank Brasil - Banco Múltiplo ao nível do rating de crédito soberano do Brasil, ou seja, o grau de investimento Baa2.

Bradesco, Itaú Unibanco e o banco de investimentos do Banco Itaú BBA foram rebaixados em um grau acima do rating soberano, porque possuem fatores que ajudam a mitigar os riscos, incluindo níveis moderados de diversificação internacional e altos níveis de diversificação de negócios, apesar de, em geral, possuírem altos níveis de participação na dívida soberana.

Banco Votorantim foi rebaixado em um grau abaixo do nível do rating da dívida soberana brasileira para refletir o mau desempenho financeiro do banco, incluindo a fraca qualidade e rentabilidade dos ativos e as perspectivas de desafios constantes para a sua solidez financeira.

Reenquadramento. O analista-sênior de bancos da Moody's para o Brasil, Ricardo Kovacs, afirmou, em entrevista à Agência Estado, que "não ocorreu rebaixamento de bancos brasileiros". Segundo Kovacs, o que ocorreu "foi um reenquadramento das notas atribuídas às instituições financeiras em nível mundial, devido a uma metodologia (própria) da Moody's". Ele ressaltou que a mudança metodológica foi adotada em fevereiro.

Segundo Kovacs, a mudança visou tornar mais próximas as notas de bancos dos ratings soberanos dos países onde estão localizadas suas sedes. "Bancos como o Bradesco e Itaú Unibanco estavam com quatro notas acima do rating do Brasil e agora passaram a ficar com uma nota superior", disse. "Não mudou nada em relação ao País, ao contrário", acrescentou, referindo-se à boa avaliação que a Moody's faz sobre os bancos brasileiros.

"Os bancos brasileiros são resistentes e sólidos para parâmetros internacionais, entre eles os de capitalização e de geração de receitas", disse. Kovacs ressaltou que a supervisão do Banco Central sobre os bancos "é muito eficiente", o que, na prática, se torna um fator adicional relevante que colabora para que a higidez dos bancos no País seja mantida no longo prazo. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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