Moody’s rebaixa classificação de risco de 15 dos maiores bancos do mundo

O movimento faz parte de ampla revisão de notas e pode prejudicar a obtenção de recursos por essas instituições e afetar os mercados financeiros

Agências internacionais,

21 de junho de 2012 | 19h34

Texto atualizado às 21h23

NOVA YORK - A agência de classificação de risco Moody’s anunciou nesta quinta-feira o corte das notas de 15 dos maiores bancos do mundo. O movimento faz parte de ampla revisão de notas e pode prejudicar a obtenção de recursos por essas instituições e afetar os mercados financeiros.

Entre os bancos rebaixados estão Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley, Royal Bank of Canada, dos Estados Unidos e do Canadá. A lista dos bancos europeus inclui Royal Bank of Scotland, Barclays, HSBC, Credit Suisse, UBS, BNP Paribas, Credit Agricole, Societé Generale e Deutsche Bank.

Em 15 de fevereiro, a Moody’s anunciou que faria a revisão, dizendo que a classificação desses bancos globais "não captura os desafios crescentes de condições de financiamento mais frágeis, maiores spreads para obter crédito, aumento dos encargos regulatórios e condições de operação mais difíceis".

"Todos os bancos afetados pelas ações de hoje têm uma exposição significativa à volatilidade e ao risco de perdas desproporcionais inerentes às atividades dos mercados de capitais", disse, em comunicado, o diretor de Global Banking da Moody’s, Greg Bauer.

Dois bancos americanos que foram duramente atingidos pela crise ficaram com as classificações mais baixas. O Citigroup e o Bank of America estão agora avaliados em apenas dois níveis acima de "lixo" (junk).

O rebaixamento é um duro golpe para o setor bancário, que já está lidando com a crise da dívida soberana europeia, uma economia fraca americana e novas regulamentações.

A revisão de notas pela Moody’s faz parte de um amplo esforço para fazer uma análise mais rigorosa. A crise financeira manchou a reputação das agências de risco. Elas haviam dado notas altas para títulos lastreados em hipotecas que mais tarde sofreram grandes perdas na crise imobiliária.

A ameaça do rebaixamento já rondava os mercados há meses. Ações do Morgan Stanley caíram 25% desde 15 de fevereiro, quando a Moody’s anunciou a possibilidade dos rebaixamentos.

Nos últimos meses, executivos dos bancos, incluindo o CEO do Morgan Stanley, James P. Gorman, reuniram-se com analistas da Moody’s para argumentar que suas empresas não mereciam grandes rebaixamentos.

Os executivos dos bancos pressionaram a Moody’s para reconhecer as medidas importantes tomadas por eles desde a crise financeira, para reforçar seus negócios, incluindo aumentar a margem de segurança contra perdas. O capital do Morgan Stanley, de US $ 62 bilhões no fim de março, era o dobro do que o banco tinha no fim de 2007.

Executivos de grandes bancos vão agora tentar convencer os credores e clientes de grande porte que a Moody’s exagerou.

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