Moody's rebaixa classificação do BMG

Para agência de avaliação de risco, banco brasileiro ainda tem geração de receita 'muito enfraquecida'

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

A Moody's rebaixou vários classificações do Banco BMG por causa do enfraquecimento dos fundamentos de crédito da instituição financeira brasileira. A agência de classificação de risco avalia que a geração de receitas do produto principal do BMG continuará enfraquecida, limitando, dessa forma, a geração interna de capital, e, portanto, o crescimento da carteira.

A classificação caiu de E+ para D- . Os ratings de depósitos em moeda local e estrangeira, de longo prazo, foram rebaixados para B1 de Ba3, bem como os ratings de dívida sênior e dívida subordinada, em moeda estrangeira, os quais foram rebaixados para B1 de Ba3, e para B2 de B1, respectivamente.

A Moody's também reduziu os ratings de depósito na escala nacional brasileira, de longo e curto prazo. Na escala global, os ratings de curto prazo permanecem inalterados.

A agência de classificação de risco disse ter notado que a estrutura de obrigações do BMG ficou altamente dependente de fontes garantidas, incluindo acordos de vendas de carteira, que representaram 61% da captação em setembro de 2012, bem como de depósitos a prazo com garantia (DPGE) ou diretamente providos pelo Fundo Garantidor de Crédito (sem rating), que representaram aproximadamente 14% da captação total do banco nesse período.

A tendência reflete declínio na confiança do investidor e do depositante do banco que expõe a instituição a maiores custos de captação e prejudica a liquidez do banco, embora as mudanças na administração anunciadas em novembro devam minimizar impactos negativos à reputação advinda do processo judicial que envolve os acionistas do BMG desde outubro, disse a Moody's.

Itaú. A agência afirmou ter reconhecido que a parceria anunciada recentemente com o Itaú Unibanco - que deve iniciar operações na segunda-feira (leia mais abaixo) - traz benefícios à estrutura de captação e futura geração de receitas do banco.

"Apesar disso, esse acordo implica também em uma maior concentração da captação em duas principais fontes, que hoje são o Itaú Unibanco e o FGC. Como consequência, os planos do banco de se diversificar em outros produtos de crédito dirigidos ao consumo e de crédito comercial parece menos possível nesse momento".

A agência diz que a geração de receitas principais devem continuar fraca nos próximos trimestres, na medida em que a originação de crédito permanece modesta e a competição de grandes bancos pressiona as margens.

"Além disso, a mudança na contabilização de ganhos sobre vendas de carteira continuará levando a perdas líquidas, limitando assim ainda mais a capacidade do banco de repor capital".

A perspectiva negativa dos ratings do BMG incorpora a visão de que as perdas líquidas continuarão reduzindo o capital, enquanto as alternativas limitadas de captação limitarão a capacidade do banco de ampliar sua carteira de crédito refletida no balanço e de diversificar suas operações, afirmou a Moody's

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