Moody's rebaixa perspectiva da Petrobrás

Agência de classificação de risco passou a estatal de 'estável' para 'negativa'; decisão não surpreendeu o mercado

MARIANA DURÃO / RIO , O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h08

A alteração da perspectiva do rating da Petrobrás de "estável" para "negativa" pela agência de classificação de risco Moody's não surpreendeu analistas do setor, nem deve modificar de forma substancial a avaliação da companhia.

O analista Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora, classifica a avaliação da Moody's como consequência "natural" frente a maior alavancagem financeira da estatal. O aumento da dívida decorre da equação investimentos altos e menor geração de caixa, em função das importações de derivados e da dificuldade de avanço da produção da empresa.

Na avaliação de Broad esse quadro dificilmente deve mudar, deixando o reajuste do preço dos combustíveis como a única via para a Petrobrás incrementar sua geração de caixa e evitar o rebaixamento de seu rating de crédito.

A defasagem do diesel e da gasolina da estatal frente aos preços internacionais se somará em 2013 à perspectiva de alta na inflação, pressionando ainda mais os custos da companhia. Ele calcula que o reajuste deveria ser de, pelo menos, 10% no diesel e 10% na gasolina para equacionar a situação da companhia.

"As únicas formas de administrar o fluxo de caixa para o ano que vem são obter um aumento de preços ou reduzir investimentos", diz Broad. A Ágora, entretanto, não alterou sua avaliação para a Petrobrás.

As ações da Petrobrás, que foram as vilãs da Bolsa no pregão de segunda-feira, ontem subiram 0,89% (ordinárias, com direito a voto) e 1,26% (preferenciais), acompanhando a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional.

A equipe de análise do Banco do Brasil também não alterou sua avaliação para a estatal, de R$ 26 para as ações PN e R$ 27,5 para as ON. Segundo Nataniel Cezimbra, analista do BB, é preciso esperar pelo menos até o primeiro trimestre do ano que vem para avaliar se o rebaixamento da perspectiva pela Moody's pesou nos resultados da empresa.

"Não existe risco de rolagem (da dívida) ou do mercado se fechar para a Petrobrás, mas sim de as novas emissões da companhia terem um custo mais alto", avalia Cezimbra, que descarta a perda do grau de investimento pela Petrobrás.

Cezimbra considera relevantes as justificativas dadas pela Moody's, que se referem às incertezas quanto ao fluxo de caixa por atrasos na produção e pelo crescente nível de endividamento da estatal. Ele lembra que a relação dívida líquida em relação à geração de caixa da Petrobrás passou de 1,6 no início do ano para 2,4 no terceiro trimestre, em boa parte afetada pela valorização do dólar, moeda a qual 73% da dívida da companhia é atrelada. Já a produção tem se mantido estável e nos cálculos de Cezimbra devem atingir 2,1 milhões de barris/dia em 2012.

O Banco do Brasil acredita que a probabilidade de o governo autorizar um novo aumento dos combustíveis no primeiro trimestre de 2013 é muito alta. "A ponta distribuição de combustíveis é a mais sensível para gerar valor para os papéis da companhia, já que a produção deve levar de um a dois anos para voltar a crescer e os investimentos em refinarias vão demorar", diz Cezimbra.

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