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Moody's rebaixa rating do banco Cruzeiro do Sul

Agência critica dependência de dinheiro do FGC; banco se diz surpreso e não vê razão para decisão

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h05

A agência de classificação de risco de crédito Moody's, uma das mais influentes do mundo, rebaixou ontem o rating (nota) do banco Cruzeiro do Sul para E+. É o penúltimo degrau na escala Moody's para o critério chamado força financeira.

Na escala em que descreve cada nota (que vai de A a E), a Moody's informa que "bancos com rating 'E' apresentam força financeira intrínseca bastante modesta, com elevada probabilidade de que requeiram suporte externo periódico ou eventual assistência externa".

No relatório em que justifica o rebaixamento do Cruzeiro do Sul, a Moody's alerta que o banco "possui alta dependência em depósito com garantia (DPGE) e acordo de securitização de ativos com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que, ao final de 2011, representou mais de um terço da captação total".

A Moody's afirma ainda que "o desempenho do Cruzeiro do Sul em 2011 também foi afetado negativamente pelo relevante aumento de provisões para cobertura de risco de ativos fora do balanço, pressionando os resultados recorrentes, que já são fracos".

Em conversa com o Estado, o diretor-superintendente e de relações com investidores do Cruzeiro do Sul, Luís Octavio Índio da Costa, disse ter ficado "surpreso" com a decisão. "A Moody's faz nosso rating há anos e vamos procurá-los para entender o que houve, porque não vemos nenhum fato novo que justifique o rebaixamento."

O diretor executivo do Fundo Garantidor de Créditos, Antonio Carlos Bueno, explicou que a operação com o Cruzeiro do Sul é, na prática, uma linha de crédito de até R$ 3,8 bilhões, que ficará aberta até dezembro de 2013. "Mas o banco decide se vai ou não usá-la", afirmou. Até o fim do ano passado, o Cruzeiro do Sul havia sacado R$ 625 milhões.

Semana que vem, o banco tem a opção de sacar outra parcela, no valor de R$ 200 milhões. E vai fazê-lo, segundo Índio da Costa. "Um dos pontos que o relatório da Moody's chama a atenção é justamente a operação com o FGC, que, para nós, é algo bom", afirmou. "É como se fosse um seguro", definiu Bueno.

Índio da Costa disse que, em abril de 2011, em meio aos efeitos da crise global, o banco procurou alternativas de funding (recursos). Em parceria com o Bradesco, criou um Fundo de Investimento de Direito Creditório (FDIC), cujas cotas principais foram compradas pelo FGC.

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