Moody's reduz avaliação de dívida externa do Japão

A Moody's tirou nesta segunda-feira o Japão de sua lista de países com dívida em moeda estrangeira avaliada como "AAA", levantando especulações de que outras grandes economias, como os Estados Unidos, podem sofrer o mesmo movimento.

REUTERS

18 de maio de 2009 | 09h38

Ao contrário de muitos dos demais países na categoria "AAA", o Japão depende muito do financiamento doméstico e a Moody's combinou a redução do rating da dívida externa com uma elevação na nota dos bônus do governo. O movimento coloca ambos os ratings do país na classificação "Aa2".

A Moody's afirmou que a decisão foi em grande parte técnica, mas também disse que o Japão está em pior situação que muitos outros países que estão na lista de melhores notas.

"A decisão de reduzir a nota da dívida em moeda estrangeira do Japão de 'AAA' abre caminho para especulações sobre se a Moody's vai tomar decisões semelhantes sobre outras notas 'AAA'", afirmou Kenro Kawano, estrategista do Credit Suisse, em Tóquio.

Dados do ministério das Finanças sobre detentores de bônus do governo japonês mostram estrangeiros detendo apenas 7,9 por cento do total até setembro de 2008, enquanto investidores internacionais detêm mais de metade dos Treasuries norte-americanos negociáveis.

A dívida é herança de gastos maciços do governo para proteger a economia em uma década de deflação que iniciou no início dos anos 1990.

MAIS TÍTULOS

O governo está vendendo ainda mais títulos para financiar um pacote de estímulo de 159 bilhões de dólares criado para tirar a economia da mais profunda recessão da história do país. A Moody's informou que o mercado doméstico para títulos do governo japonês pode absorver a nova emissão.

"A Moody's acredita que o mercado doméstico vai absorver o nível recorde de emissão de títulos este ano para financiar o programa de estímulo econômica do governo", divulgou a agência em comunicado.

Enquanto o governo está mergulhado em dívidas, o Japão é um país credor, com mais de 15 trilhões de dólares em poupança. Os últimos títulos japoneses em moeda estrangeira expiraram em 1983, de acordo com o ministério das Finanças.

Apesar disso, a Moody's citou o nível da dívida, a expansão dos gastos do governo e a economia debilitada como razões para a nova avaliação.

"Dado o tamanho do déficit público do Japão, o país obviamente não deveria ter a nota máxima. O Japão possui obrigações fiscais que vão se estender por gerações, mas certamente essa não é uma perspectiva muito ruim", disse Glenn Maguire, economista do Société Générale em Hong Kong.

"O nível de poupança e reservas cambiais fornece um amortecedor significativo contra quaisquer reduções de avaliação futuras da dívida doméstica do Japão."

O mercado de títulos do governo japonês não sofreu oscilações significativas após a decisão da agência e seguiram queda dos mercados acionários. A Moody's foi a última das três agências de classificação internacionais que tirou o Japão da faixa "AAA". Tanto a Fitch quanto a Standard & Poor's avaliam a dívida japonesa em "AA", terceiro nível mais alto.

Os mercados de moedas por várias vezes neste ano foram assombrados por especulações de que os Estados Unidos, já considerado o tomador de empréstimos mais seguro do mundo, possa também perder a classificação "AAA".

A dívida em circulação pelos mercados do Tesouro norte-americano estava em 5,9 trilhões de dólares no final de 2008, tendo disparado 55 por cento desde 2003, segundo a Securities Industry and Financial Markets Association.

Comentários de uma ex-autoridade do governo norte-americano ao Financial Times, de que a classificação da dívida de Washington estava em risco, ajudou a derrubar o dólar na semana passada para as mínimas em quatro meses frente a uma cesta com outras seis moedas.

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