Moody’s reduz nota de crédito da Petrobrás

Agência não mexeu, porém, na nota global da empresa, que continua com grau de investimento

Fernanda Nunes e Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 19h51

Atualizado às 22h15

RIO - As denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás já afetam a avaliação de risco da estatal. Nesta quarta-feira, a agência de classificação Moody’s decidiu rebaixar a nota que mede a gestão da estatal sem o suporte do governo. O pano de fundo é a fragilidade da governança corporativa da petroleira e sua capacidade de evitar prejuízo aos investidores causado por fraudes.
 
A agência rebaixou em um degrau a classificação do risco individual de baa3 para ba1. Apesar da queda, a nota ainda mantém a Petrobrás no seleto grupo de empresas com selo de grau de investimento, ou seja, com maior acesso a crédito de grandes investidores internacionais. A Moody’s, porém, não mexeu na nota global da Petrobrás, que permanece em baa2, com perspectiva negativa. 

A decisão desta quarta-feira pode ser uma indicação de que a Petrobrás corre o risco de ter sua nota global rebaixada em breve. Mas, segundo fontes, a chance de a petroleira perder o grau de investimento é mínima. 

Para que isso aconteça, a Moody’s teria de rebaixar em mais dois níveis a classificação da Petrobrás. O que tem sustentado a nota global da companhia é a certeza de que a estatal poderá sempre contar com o apoio do Tesouro Nacional. 

A Moody’s já havia demonstrado confiança no governo ao justificar a manutenção do grau de investimento da petroleira em outubro. Naquela ocasião, a agência já havia rebaixado a nota global da petroleira, de Baa1 para Baa2. A decisão foi justificada pelo alto grau de endividamento da empresa. 

Balanço. Apesar de o mercado ainda não conhecer os resultados da companhia no 3º trimestre, que teve a divulgação suspensa após a auditoria externa Pricewaterhouse Coopers (PwC) se recusar a revisar os números sem um aprofundamento das investigações de corrupção, o rebaixamento também expressa o pessimismo com o cenário econômico da empresa. 

A avaliação é que pesou na decisão da Moody’s, além do cenário de incertezas diante do impacto contábil da corrupção no caixa da empresa, a possibilidade de a Petrobrás ter suas dívidas cobradas antecipadamente pelos credores. Como não houve o balanço do último trimestre, poderia acontecer uma corrida de antecipação de resgate dos títulos, ampliando o custo para a empresa.
 
Atualmente, a companhia possui mais de R$ 308 bilhões em endividamento bruto. Parte deste valor é em moeda estrangeira, o que expõe a companhia às oscilações e pressões do câmbio. O que preocupa a companhia e os investidores é que parte desses títulos de dívidas condiciona o prazo de vencimento à apresentação atualizada das informações financeiras. 

Outro ponto importante nessa avaliação é a alavancagem da companhia, medida pelo ela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido. No segundo trimestre, a alavancagem ficou em 40%, acima do patamar de 35% desejado pela estatal. A perspectiva da Petrobrás é que o indicador só volte aos níveis desejados após 2018. 

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