Brendan McDermid/Reuters
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Moody’s sinaliza mudar nota de crédito se País não retomar ajuste fiscal em 2021

Agência de classificação de risco diz que avaliação em vigor já projeta aumento de gastos para enfrentar efeitos da pandemia do coronavírus, mas ‘também prevê retomada do ajuste’ no próximo ano

Altamiro Silva Junior, Thais Barcellos e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 05h00

A vice-presidente e analista sênior do rating do Brasil na Moody’s Investors Service, Samar Maziad, disse na última quarta-feira, 14, que a agência de classificação de risco espera algum avanço na agenda de reformas ainda este ano ou no começo de 2021, como forma de enfrentar os efeitos gerados pela pandemia, como a rápida elevação da dívida pública.

“O importante é que avancem”, disse ela, acrescentando que o atual rating do País – anunciado em maio – já considerava um aumento da dívida para fazer frente aos gastos extraordinários com a pandemia. Mas também previa um esforço para retomar o ajuste fiscal a partir do próximo ano. 

“A manutenção do rating incorpora esse aumento (de gastos), mas também prevê a retomada do ajuste fiscal em 2021”, disse Samar, em evento organizado pela agência. “Se o apoio a reformas diminuir, haverá impacto negativo em nosso cenário.”

Pelos critérios usados pela Moody’s, a chamada nota de crédito soberano do Brasil é de “Ba2”, com perspectiva “estável”. O País está dois graus abaixo do piso para voltar a ser considerado grau de investimento – indicação importante para investidores estrangeiros na hora de distribuir seus recursos. 

O Brasil conquistou pela primeira vez o grau de investimento em 2008. Sete anos depois, a S&P foi primeira a tirar o selo de bom pagador, seguida por Fitch e depois por Moody’s.

A Moody’s projeta que a relação entre dívida pública bruta e Produto Interno Bruto (PIB), que era de 75,8% em 2019, supere os 97% no próximo ano. “Esperamos que o crescimento econômico se recupere em 2021. Contudo, as reformas estruturais e o ajuste fiscal serão importantes para o Brasil conseguir um crescimento sustentável”, afirmou a analista. Ela acrescentou que espera a manutenção do teto de gastos, regra que condiciona o nível de gastos à evolução da inflação. “O teto de gastos é a principal âncora fiscal do Brasil.”

Sobre a manutenção de estímulos extraordinários, como o auxílio emergencial, ela disse que dentro do teto de gastos há espaço limitado para aumentar despesas. Assim, a ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes, de unificar programas sociais pode requerer medidas compensatórias.

Também presente no evento, o diretor do ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, afirmou que, nas últimas duas semanas, ficou “mais animado” com a perspectivas de que o teto de gastos não será ultrapassado. 

Segundo Kawall, após alguns sinais do governo sobre o financiamento do Renda Cidadã, a reação negativa dos mercados foi percebida pela equipe econômica, que voltou a reforçar que a regra será mantida. “A sinalização é de que o governo vai respeitar o teto para financiar programas sociais.”

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