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Moody's sinaliza que pode rebaixar ratings da Odebrecht e da Andrade Gutierrez

Agência de classificação de risco colocou em revisão as notas de crédito das construtoras após a prisão de executivos pela Operação Lava Jato

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2015 | 12h13

A agência de classificação Moody's colocou sob revisão para possível rebaixamento os ratings da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e da Andrade Gutierrez, conforme relatório publicado neste sábado, 20. A mudança foi motivada, de acordo com a classificadora, pela percepção de aumento do risco de crédito para as companhias. Na sexta-feira, 19, presidentes e executivos das construtoras foram presos durante a 14ª fase da Operação Lava Jato.

Foram colocados em revisão os ratings corporativo da Andrade Gutierrez, em Ba2, e o de emissor, também de Ba2. De acordo com a Moody', US$ 500 milhões em bônus seniores sem garantia e com vencimento em 2018 poderiam ser impactados.

No caso da Odebrecht, tanto o rating de emissor na escala nacional brasileira, de Aa1.br, quanto o de emissor Baa3 na escala global foram colocados em revisão para rebaixamento. O próximo vencimento no mercado de dívida da empresa, segundo a classificadora, é em 2018 de uma emissão de R$ 500 milhões em notas seniores sem garantia, com rating Baa3.

A Odebrecht, segundo a Moody's, é a maior companhia de engenharia e construção da América latina, com receita líquida de R$ 32,8 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em março último. Seus contratos somam R$ 108,7 bilhões e um total de 186 contratos envolvendo construção de larga escala nos segmentos de transporte, energia, saneamento, construção e plantas industriais. Destes, 26% estão localizados no Brasil, 54% em outros países da América Latina e 195 na África. O caixa da companhia somava, em março, R$ 13,3 bilhões enquanto sua dívida bruta total de era de R$ 10,7 bilhões, incluindo garantias extra-patrimoniais. 

Fatores de risco. A classificadora explica que embora as investigações em relação às construtoras ainda estejam em andamento, sem a condenação ou penalidades, as buscas e as prisões feitas poderiam afetar negativamente a execução de estratégias de crescimento das empresas no curto prazo e questionamento adicionais para o setor de construção civil no Brasil.

Os ratings de ambas as construtoras podem ser rebaixados, de acordo com a agência, se verificado o aumento dos riscos advindos das investigações da Lava Jato como, por exemplo, redução da liquidez para fazer frente às dívidas ou redução significativa no seu portfólio de projetos, aumentando sua alavancagem (relação entre patrimônio e dívida) e enfraquecendo seu perfil de negócios. 

Companhias sob investigação podem receber potenciais penalidades monetárias, atenta a  Moody's, e também correm o risco de sofrer prejuízos de reputação e enfraquecimento da confiança do investidor, reduzindo o acesso dessas empresas aos mercados de capitais público e privado, bancos de desenvolvimento e agências de financiamento multilateral. A nova Lei anticorrupção, por exemplo, impõe multas de até 20% da receita anual bruta, proibição de recebimento de financiamento subsidiado de entidades públicas e até mesmo a dissolução do grupo. 

Luz no fim do túnel. O processo de revisão dos ratings, segundo a Moody's, focará na capacidade prospectiva das companhias de suportar seus negócios e continuar operando em tal ambiente embora a agência considere difícil prever o prazo e os desdobramentos jurídicos dessas investigações. 

A Moody's explica, porém, que à medida em que as questões atuais sejam esclarecidas e resolvidas, com implicações restritas ou gerenciáveis para os negócios domésticos e internacionais das companhias e para sua liquidez, as notas podem ser confirmadas nos níveis atuais.

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