Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Moody's vai reavaliar o rating da Petrobrás

Até o fim do mês, agência de classificação de risco analisará o impacto da Lava Jato

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2015 | 02h02

NOVA YORK - A agência de classificação de risco Moody's fará nova avaliação da nota (rating) de crédito da Petrobrás até o fim do mês, afirmou o vice-presidente e analista sênior de crédito soberano da empresa, Mauro Leos, após participar ontem de um evento para discutir a economia brasileira, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

"Os desdobramentos ligados à Petrobrás estão se tornando crescentemente relevantes", disse Leos. Para ele, há uma "interconectividade" alta da petroleira com a economia, ou seja, uma piora na empresa pode afetar a atividade do País, com consequente impacto na nota da dívida do Brasil.

Para 2015, Leos ressaltou que as previsões para o Brasil não são nada animadoras, variando de estabilidade a queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB). "A Petrobrás complica a situação em todos os aspectos", afirmou. Os desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato podem levar à contração da economia mais para perto de 1% este ano ou mesmo um nível pior, destacou Leos.

Até o fim do mês os analistas da Moody's vão avaliar a situação da Petrobrás e decidir se a nota da empresa será rebaixada. Como vai ficar a questão do endividamento da Petrobrás e em que medida ela pode precisar de apoio do governo e a disposição de Brasília em dar suporte financeiro estão entre os pontos que serão discutidos. No fim de janeiro, a Moody's anunciou um corte da nota de crédito da empresa.

País. A Moody's deve se reunir no meio do ano para avaliar a economia brasileira, mas tem até o início de 2016 para decidir se rebaixa o rating soberano do País, de acordo com Leos.

Em setembro de 2014, a Moody's mudou a perspectiva do rating brasileiro para negativa, indicando que a nota poderia ser rebaixada. Leos explicou que a decisão sobre o corte pode ocorrer de 12 meses a 18 meses após a mudança da perspectiva, ou seja, o limite seria o início de 2016. Mesmo se for rebaixado, o País continua dentro da classificação de risco "grau de investimento"- considerada segura pelos investidores.

A decisão da Moody's, segundo Leos, foi esperar para ver o que aconteceria com o Brasil após as eleições, por isso optou por fazer a mudança da perspectiva da nota e não do rating em si. A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda foi uma surpresa "claramente positiva". "Quando mudamos a perspectiva do rating para negativa não estávamos pensando em alguém como ele", disse.

O problema é que em seguida veio o escândalo gerado pelas denúncias de corrupção na Petrobrás, que têm impacto negativo e podem contaminar a economia, avaliou Leos. Se a Petrobrás precisar de ajuda financeira do governo para resolver problemas de seus passivos, pode comprometer as contas públicas. Além disso, a Petrobrás pode comprometer ainda mais a atividade econômica.

Medidas heterodoxas. Os problemas da economia brasileira, disse Leos, são em sua maioria gerados pelo próprio governo, com a adoção de algumas medidas heterodoxas no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Por isso, havia a clara necessidade de um ajuste "doloroso" na economia, que precisa durar pelo menos dois anos, disse ele. O cenário traçado pela Moody's para o 2.º mandato de Dilma prevê que a atividade econômica vai continuar fraca.

Com base em previsões do governo e estimativas da Moody's para 2018, Leos prevê que o crescimento continuará baixo, ao redor de 2% na média entre 2015 e 2018, ante 2,9% no período de 1999 a 2014. Já a dívida bruta do governo vai aumentar de 57% para 62% do PIB, enquanto o saldo primário se reduz de uma média de 3,2% para 1,9% do PIB.

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