Priscila Mengue/Estadão
Priscila Mengue/Estadão

Moradores da zona sul de SP têm dificuldade para chegar ao trabalho

'Carona' em ônibus fora de operação e aplicativos de transporte viraram alternativas; pessoas também relatam terem faltado ao emprego

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 15h09

SÃO PAULO - Moradores de bairros do extremo sul da cidade de São Paulo foram os principais afetados pela redução na circulação de ônibus. Para driblar a situação, eles recorreram a caronas e aplicativos de transporte, enquanto outros desistiram e ficaram em casa.

Uma "carona" em um ônibus fora de operação garantiu que a recepcionista Ana Clara Santos Silva, de 40 anos, conseguisse chegar no trabalho, na Avenida Santo Amaro, na zona sul da cidade de São Paulo. 

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Ela estava no ponto de ônibus no distrito do Grajaú desde as 4h35, junto de uma vizinha e outros moradores do entorno. Cerca de 30 minutos depois, um rapaz pediu ao motorista de um coletivo que passava pela Rua Major Lúcio Dias Ramos para levá-los até algum local. "O motorista, muito legal, ainda falou que não poderia nos deixar dentro do terminal, mas que iria deixar próximo. Daí fomos andando até o Terminal Varginha (em Parelheiros)", conta.

Segundo a Prefeitura, cerca de 60% das ônibus programados para o horário atenderam na manhã desta sexta-feira, 25. Dentre as empresas, apenas a Transwolff, que atende o extremo sul, parou totalmente as atividades. As demais operam com maior intervalo entre ônibus. No Terminal Capelinha, por exemplo, na região do Capão Redondo, as linhas estavam circulando com maior intervalo, a cada 20 minutos, em vez dos 10 minutos da média. 

Já o assistente administrativo Diego Cruz, de 30 anos, deveria estar no trabalho desde as 8 horas, mas não conseguiu sair do bairro Jardim Noronha, no distrito do Grajaú, zona sul da cidade. Como o habitual, ele foi até o ponto do ônibus às 5h30, onde ouviu relatos de moradores que esperavam transporte há mais de 30 minutos. "Quando cheguei, algumas pessoas já estavam se dispersando", conta. 

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Colegas de trabalho em uma empresa de confecção em Interlagos,  na zona sul, o desenhista Edson de Freitas, de 46 anos, e a encarregada de produção Inês Goncalves, de 50 anos, ficaram mais de trinta minutos aguardando um ônibus no Terminal Santo Amaro. "Geralmente tem muita opção, demora nem 10 minutos",  diz Edson. 

Nos terminais visitados pelo Estado, os relatos foram de que o movimento de passageiros estava "muito abaixo do normal". No Terminal Grajaú, por exemplo, apenas a empresa Cidade Dutra funcionava parcialmente. Segundo o fiscal, Osvaldo Paiva Ramos, da Cidade Dutra, os ônibus operam com intervalos de cerca de 20 minutos, enquanto a média para o horário é a cada 7 minutos. 

No local, vários pontos estão vazios, enquanto o painel informa "Esta linha não está operando". Além disso, o sistema de som do terminal emite avisos periódicos avisando que "as linhas da Transwolff não estão operando".

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No Terminal Grajaú, um grupo de seis professoras aguarda duas colegas chegarem para dividir dois carros do Uber até a escola municipal em que lecionam no Jardim Myrna, distrito do Grajaú. Uma delas, que não quis divulgar o nome, veio de transporte público desde a zona leste, mas, embora mais cheio, teve dificuldade apenas quando chegou de trem no terminal. Elas iriam pegar um dos coletivos da Transwolff, que parou completamente nesta sexta-feira.

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