Moradores de subúrbios protestam contra falta de luz no Rio

Nas zonas norte e oeste da cidade, moradores queimaram pneus e interromperam o trânsito em vias movimentadas

FERNANDA NUNES , SABRINA VALLE , SERGIO TORRES / RIO , O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h05

A falta de luz em dezenas de bairros nos últimos dois dias levou às ruas moradores dos subúrbios cariocas, que queimaram pneus e interromperam o trânsito em vias movimentadas das zonas norte e oeste. Na madrugada de ontem, em frente ao conjunto habitacional Nova Sepetiba (zona oeste), policiais expulsaram manifestantes inconformados com o apagão que durava desde a noite anterior.

Horas antes, na Faixa de Gaza, apelido da avenida Leopoldo Bulhões (Manguinhos, zona norte), a Polícia Militar reprimira protesto de moradores das favelas da região, que incendiaram lixo na pista. Eles reclamavam do corte de energia.

Oficialmente, a Light (companhia energética que abastece o Rio) nega os apagões. Reconhece, entretanto, a existência de problemas. Mas, em vez de apagão, prefere usar a expressão "interrupção no fornecimento de luz em alguns trechos" da região metropolitana do Rio.

A empresa credita o problema ao calor e aumento dos gastos de energia decorrentes da temperatura elevada (43º C, na quarta-feira). Segundo a Light, o sistema de distribuição não está preparado para atender simultaneamente demanda tão alta por eletricidade em diferentes pontos.

Embora tenha evitado comentar a frase dita anteontem pela presidente Dilma Rousseff de que "sempre que a temperatura passa de 40º, a Light tem problema", o superintendente de Operação e Manutenção de Rede, José Hilário Portes, admitiu que "a temperatura muita acima da normalidade leva a problemas".

Para ele, "é preciso considerar no Rio essa realidade da carga à revelia". Como carga à revelia ele entende o consumo de energia acima do estimado com a aquisição de novos equipamentos pelas famílias. "O ideal seria que o consumidor informasse à distribuidora o aumento de consumo de energia, quando adquire um novo aparelho, mas isso não acontece", afirmou.

O superintendente não vincula os apagões aos cortes de energia no sistema de transmissão que têm ocorrido no País. "É preciso separar um pouco os eventos. O sistema elétrico é muito grande. Há os sistemas nacionais e os locais." Sobre o apagão no aeroporto do Galeão na quarta-feira, a Light reafirmou que a estrutura onde houve o problema não é de sua responsabilidade. A subestação e linha de atendimento do Galeão são da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Temperaturas elevadas têm estimulado o consumo de energia no País. O uso de condicionadores de ar fez o consumo apresentar, em novembro, o maior crescimento mensal de 2012 na comparação com o mesmo mês de 2011 - 6,3%, conforme informou a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE).

O aumento veio do consumo em residências, lojas e estabelecimentos de serviço. Já no caso da indústria, a alta foi de apenas 0,2%. Houve, no entanto, avanço de 0,6% em relação ao mês anterior. o que pode ser indício de recuperação da atividade industrial, pois em outubro o aumento fora de apenas 0,1%.

Moradores também sofrem com a falta de água. Ontem, internautas das zonas norte e oeste acusavam o problema pelo twitter. Em nota, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos informou que o sistema está abastecido, mas admitiu que pontos específicos podem ter problemas. / COLABOROU HELOISA ARUTH STURM

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.