Morales centraliza atenções na reunião do BID em BH

Na ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente boliviano, Evo Morales, protagonizou as atenções na abertura oficial da 47ª Reunião Anual das Assembléias de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nesta segunda, em Belo Horizonte. Com seu traje típico, Morales encerrou a solenidade com um discurso longo contundente, para uma platéia de cerca de 1,3 mil pessoas, que lotou o teatro do Palácio das Artes. O ex-líder cocaleiro, primeiro presidente indígena do país, repetiu a defesa dos setores marginalizados e excluídos da Bolívia e a condenação do "saque" histórico de seus recursos naturais por povos "invasores". "Queremos refundar a Bolívia e acabar com esse estado colonial", afirmou. Morales sublinhou, contudo, que o processo de mudanças por que passa a Bolívia é uma "revolução democrática" e não "armada". Na coletiva à imprensa, o presidente boliviano fez questão de exibir a página de um jornal de seu país que o apontava com um índice de 80% de apoio popular. "Com apenas dois meses de governo", comentou. "Isso não somente apoio dos indígenas, das classes populares, mas também da classe média, dos intelectuais". Ele também tomou frente na questão envolvendo a proposta de perdão das dívidas dos países mais pobres da região com o BID. A proposta de perdão dos débitos com o banco interamericano é um dos principais pontos de discussão do encontro deste ano. E interessa particularmente à Bolívia, que acumula uma dívida de US$ 1,6 bilhão com a instituição, de um total de US$ 3,5 bilhões devido pelos países mais pobres da região.

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