Morales defende nacionalização de recursos e rejeita reeleição

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quinta-feira que todos os recursos naturais de seu país devem passar para o controle estatal e esclareceu que seu partido não vai propor sua reeleição na Assembléia Constituinte.Morales fez as declarações durante a inauguração do quinto centro oftalmológico doado por Cuba à Bolívia, localizado na cidade de Sucre, ao sul do país andino. O evento faz parte das homenagens ao 197º aniversário do movimento chamado "Primer Grito Libertario de América" - Primeiro Grito Libertário da América."Se queremos nos libertar, temos que libertar primeiro nossos recursos naturais, o que significa que todos os recursos naturais devem passar para as mãos do Estado boliviano, sob o controle do povo", disse o governante em seu discurso.Morales nacionalizou os hidrocarbonetos de seu país no dia primeiro de maio e concedeu o controle absoluto das reservas e da produção de gás e petróleo - até então explorados pelas multinacionais - à estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).Nova fundaçãoO presidente também afirmou que Sucre será a capital constitucional boliviana, onde o país será novamente fundado, durante a Assembléia Constituinte a ser realizada no dia seis de agosto."Nosso país foi fundado em 1825. Agora, temos a obrigação de fundá-lo novamente para acabar com a injustiça, a exploração, para acabar fundamentalmente com a exploração de nossos recursos naturais e com a história negra da Bolívia" disse o governante.Com relação à abertura da Assembléia, Morales disse que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, garantiu assistência, e Michelle Bachelet, sua colega chilena, foi convidada.ReeleiçãoAlém disso, Morales disse aos jornalistas que seu partido, o Movimento Ao Socialismo (MAS), não apresentará nenhuma proposta para acrescentar à nova Constituição a reeleição de seu cargo e do vice-presidente."Há rumores de que os movimentos sociais pedem a reeleição, mas o MAS não está com a proposta da reeleição. Esta é uma questão que cabe aos constituintes", declarou Morales.A possibilidade da reeleição imediata, que não está prevista na Constituição boliviana, foi antecipada na quarta-feira por alguns deputados e senadores socialistas, embora, por outro lado, tenha sido rejeitada hoje pelo vice-presidente Alvaro García Linera.Os dois participaram da cerimônia do "Te Deum" e do desfile cívico militar organizado pelas autoridades de Sucre para recordar a primeira revolta contra a colonização espanhola, que aconteceu nesta localidade no dia 25 de maio de 1809.

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