Morales diz que Brasil não faz nada pela Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez duras críticas ao relacionamento que o governo brasileiro vem mantendo com seu país. Depois de dizer que a Petrobras age ilegalmente na Bolívia, Morales reclamou que tem tido dificuldades no relacionamento com o governo brasileiro. "Com o Brasil, temos falado bastante e não concretizamos absolutamente nada."Além da críticas ao relacionamento, Morales não citou o Brasil entre os países que ajudam a Bolívia. "Há países como Japão, Cuba, Venezuela e alguns países europeus como a Dinamarca, que ajudam incondicionalmente."Como exemplo das dificuldades de relacionamento com o governo brasileiro, ele citou que tentou avisar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a nacionalização dos hidrocarbonetos (petróleo e gás), mas não conseguiu. "Penso que alguns colaboradores de Lula me bloquearam para que pudesse encontrar o companheiro Lula. Porém, quando nacionalizamos, rapidamente me convocaram. Foi totalmente diferente."Em suas declarações, Morales citou ainda que a relação diplomática com o Brasil dá exemplos de que existem problemas de relacionamento inclusive em governos passados. Ele comentou a compra pelo Brasil do território do atual estado do Acre, que era da Bolívia. "Lamento muito que o Acre foi comprado em troca de um cavalo", disse Morales.Informações diferentesO Acre, ao contrário do que disse o presidente da Bolívia, não foi comprado pelo Brasil "em troca de um cavalo", segundo apurou o repórter Marcílio de Souza. A não ser que o cavalo no início do século passado custasse dois milhões de libras. A anexação, segundo informações que estão disponibilizados no site oficial do governo do Acre, resultou de um longo processo de povoamento da região, além de uma negociação que envolveu essa quantia em dinheiro e a cessão de outros territórios. Desde as primeiras décadas do século XIX, a maioria da população da região já era formada por brasileiros, envolvidos na exploração de seringais. Em 1899, os bolivianos começaram a recolher impostos e fundaram Puerto Alonso (hoje Porto Acre) na tentativa de assegurar o domínio da área. Isso despertou a revolta entre os brasileiros, que já haviam criado na prática um território independente da Bolívia e vinham exigindo sua anexação ao Brasil. O conflito terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903. Pelo tratado, o Brasil recebeu a posse definitiva da região em troca de áreas no Mato Grosso, do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré. Anexado ao Brasil como território, o Acre passou à categoria de Estado em 1962.

Agencia Estado,

11 de maio de 2006 | 13h24

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